O Dr. Léopold Boissy, psiquiatra do hospital psiquiátrico de Thiaroye, observa um aumento preocupante de pacientes que, antes de chegar ao hospital, passaram por curandeiros espirituais, frequentemente em estado agravado. Nesta entrevista, ele analisa os mecanismos psicológicos por trás dessa influência: busca de sentido, vulnerabilidade emocional, peso das crenças e o efeito placebo. Ele também alerta para as consequências sanitárias e financeiras dessas práticas, que por vezes retardam uma verdadeira adesão ao tratamento médico.
Na sua prática, você observa um aumento de pacientes que passam primeiro por curandeiros espirituais ou tradicionais antes de consultar?
Sim, de forma muito clara. E o que mais chama a atenção não é apenas o número, é o estado em que eles chegam. Muitos já esgotaram seus recursos financeiros, emocionais, às vezes até físicos. Eles chegam tarde, geralmente quando a situação se agravou. Aproximadamente 80 % dos nossos pacientes consultam primeiramente curandeiros espirituais antes de vir ao hospital. E mesmo após o início do tratamento médico, muitos continuam a procurá-los. Eles gastam muito dinheiro com esses curandeiros, enquanto nem conseguem pagar uma receita de 10.000 FCFA aqui.
O que, psicologicamente, faz alguém acreditar nessas promessas de cura?
O ser humano tem dificuldade em lidar com a incerteza. Quando o sofrimento se instala — doença, desemprego, rompimento — ele precisa de uma explicação. Não importa se é racional ou não. O que importa é que dê sentido. O discurso do curandeiro costuma ser simples e tranquilizador: “O seu problema tem uma causa, e eu tenho a solução.” Diante disso, a mente adere. Porque a alternativa é o vazio. E o vazio é insuportável.
Pode-se falar de uma forma de empoderamento psicológico?
Claro. Na maioria das vezes, esses curandeiros exibem uma inteligência psicológica, sabem ouvir, conversar com as pessoas, detectar fragilidades familiares, conflitos no seio da relação parental, frustrações ou dores íntimas. Em seguida, constroem um relato místico em torno dessas dificuldades: um mau espírito que aparece à noite, uma maldição, uma presença invisível ou um ataque oculto. Assim, alimentam a ideia de que possuem um poder religioso ou místico capaz de identificar e resolver esses problemas. E muitas pessoas acabam por aderir. Também é preciso entender que a doença mental continua a ser pouco aceita em nossas sociedades. Pode afetar qualquer pessoa, em qualquer momento da vida. Porém, muitas vezes é interpretada através de uma leitura mística ou religiosa.
Alguns fiéis afirmam, no entanto, sentir-se bem após essas práticas. Como você explica isso?
Na prática, algumas pessoas realmente têm a sensação de melhora. Esse sentimento pode ser autêntico, especialmente em patologias cíclicas, que naturalmente passam por fases de alívio antes de reaparecerem. Uma remissão temporária pode ser interpretada como uma cura. Mas quando os sintomas retornam, surge a desilusão.
Existe também o que os especialistas chamam de efeito de sugestão, ou mesmo de efeito placebo. O ambiente místico, as orações, a atenção dedicada à pessoa, a presença do grupo ou a escuta podem provocar um alívio psicológico imediato.
Mas é preciso distinguir duas coisas: sentir-se melhor e ficar realmente bem. A primeira costuma estar ligada ao emocional e ao psicológico; a segunda exige um cuidado duradouro e um trabalho terapêutico verdadeiro. É justamente nessa confusão que muitas derivações encontram solo fértil.
Entrevista conduzida por Adama NDIAYE
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