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Doença de Newcastle Açores: Quatro Ilhas Afectadas em 2026

O Direcção Regional de Agricultura de Portugal nos Açores confirmou a presença da doença de Newcastle em aves selvagens em quatro ilhas do arquipélago, marcando a primeira presença confirmada do vírus na região e desencadeando protocolos imediatos de biossegurança para proteger o setor avícola comercial das ilhas.

Por que isso é importante:

Nenhuma fazenda comercial infectada ainda — a vigilância e os testes rápidos estão a manter o setor avícola dos Açores livre de vírus, por enquanto.

Proibição de caça em vigor — a caça ao pombo-das-rochas é proibida desde 13 de agosto em todas as nove ilhas, com feiras e mercados de aves suspensos por tempo indeterminado.

O risco humano permanece mínimo — a infecção ocorre apenas através do contacto directo e desprotegido com aves doentes; nenhuma transmissão de pessoa para pessoa foi registrada.

Capacidade de diagnóstico atualizada — o laboratório regional terá capacidade interna de testes esta semana, reduzindo o tempo de resposta de dias para horas.

Quatro ilhas confirmadas, duas sob investigação

A análise laboratorial constatou a doença de Newcastle em pombos-das-rochas e pombas turcas nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico, segundo Luís Estrela, diretor regional de Agricultura, Veterinária e Alimentação, falando dia 1 de setembro em Angra do Heroísmo. Sintomas semelhantes foram observados no Faial e em Santa Maria, mas a confirmação laboratorial permanece pendente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV).

A discrepância decorre de uma resposta inicial do governo na semana passada a uma consulta parlamentar do Bloco de Esquerda afirmando que seis ilhas foram afetadas, posteriormente corrigida para refletir apenas casos confirmados em laboratório. Estrela esclareceu que embora os padrões de sintomas correspondam nas seis ilhas, a confirmação molecular chegou mais recentemente para São Miguel e Pico, sendo ainda aguardada para as restantes duas.

A confusão realça o desafio de rastrear doenças em populações selvagens num arquipélago que abrange 600 km de Oceano Atlântico, onde o movimento de aves entre ilhas é comum, mas a capacidade laboratorial tem sido centralizada no continente até agora.

Resposta rápida: dos laboratórios do continente aos diagnósticos locais

O Governo Regional dos Açores está adquirindo kits de diagnóstico que permitirão Laboratório Veterinário Regional para realizar testes da doença de Newcastle localmente – uma atualização crítica que deverá estar operacional dentro de alguns dias. Anteriormente, todas as amostras exigiam o envio para as instalações do INIAV no continente, acrescentando dias ao tempo de diagnóstico durante um período em que a identificação rápida determina o sucesso da contenção.

Desde a primeira notificação formal de mortalidade anormal de aves selvagens no início de Julho, as autoridades registaram 134 eventos em nove freguesiasincluindo relatórios de necropsia e análises laboratoriais. Destes, 17 confirmaram o vírus Newcastleenquanto os testes paralelos para a gripe aviária deram resultados negativos em todas as amostras.

O estudo epidemiológico para rastrear a origem do vírus continua em andamento. Estrela sugeriu as aves migratórias como o vetor mais provável, observando que Newcastle circula em populações selvagens a nível mundial, mas não tinha sido anteriormente documentado nos Açores. Ele descartou o envenenamento como fator contribuinte para o elevado número de mortes de aves selvagens, afirmando que todos os exames realizados apontaram exclusivamente para Newcastle.

O que isso significa para os avicultores e proprietários de aves

A principal preocupação dos responsáveis ​​agrícolas é evitar que o vírus salte para operações domésticas de avesonde poderia desencadear taxas de mortalidade de 100% em rebanhos não vacinados e levar a restrições comerciais que paralisariam a indústria regional. Os Açores acolhem dezenas de operações avícolas comerciais e de pequena escala que fornecem ovos e carne aos 236.000 residentes e ao setor turístico das ilhas.

Os testes periódicos de rebanhos domésticos apresentaram resultados negativos até o momento, e a maioria das operações comerciais mantém a supervisão veterinária. A direcção regional emitiu recomendações de biossegurança que as explorações agrícolas estão a implementar, incluindo:

Calendários de vacinação atualizados — obrigatória para todos os proprietários de aves de capoeira, especialmente galinhas, perus e pombos.

Separação física — impedir o acesso das aves selvagens aos alimentos, à água e às áreas de alojamento.

Saneamento aprimorado — limpeza e desinfecção diárias de equipamentos, calçados e veículos que entram nas instalações da fazenda.

Relatórios imediatos — quaisquer sintomas respiratórios, digestivos ou neurológicos em aves domésticas devem ser comunicados imediatamente aos serviços veterinários oficiais.

Para os criadores de galinhas caseiras – uma prática comum nos Açores – estas medidas representam uma mudança radical na gestão diária. A alternativa, contudo, é o abate forçado de bandos inteiros se a doença violar as defesas da exploração.

Orientação de Saúde Pública: Baixo Risco, Alta Vigilância

A infecção humana pela doença de Newcastle é raro e geralmente levemanifestando-se tipicamente como conjuntivite temporária naqueles que manuseiam aves infectadas ou materiais contaminados sem equipamento de proteção. Os trabalhadores avícolas, vacinadores e pessoal de laboratório enfrentam um risco de exposição ligeiramente elevado, mas o vírus não é transmitido entre pessoas.

O Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária de Portugal classifica Newcastle como uma doença de notificação obrigatória, e Portugal continental registou um surto separado de estirpes virulentas em pombos em 2026, sublinhando o papel das aves selvagens como reservatórios virais persistentes.

Para os residentes nos Açores, a orientação oficial é simples: evite tocar, coletar ou transportar aves doentes ou mortasmantenha crianças e animais de estimação longe das carcaças e relate as descobertas ao Serviço de Desenvolvimento Agrícola ou 24 horas Linha direta SOS Meio Ambiente. Aqueles que devem manusear aves mortas devem usar luvas e desinfetar as mãos imediatamente a seguir.

O consumo de aves e ovos devidamente cozinhados continua a ser seguro – as aves doentes são retiradas da cadeia alimentar antes de chegarem aos mercados.

Interesses Económicos: Custos de Prevenção vs. Perdas de Surtos

Embora nenhuma fazenda comercial tenha sido infectada, a ameaça é grande. A doença de Newcastle está entre as doenças avícolas mais prejudiciais economicamente em todo o mundo, capaz de destruir operações inteiras em poucos dias. Além da mortalidade direta, as explorações infectadas enfrentam:

Embargos comerciais — tanto inter-ilhas como para Portugal continental, para onde os Açores exportam especialidades avícolas.

Custos de seleção — abate obrigatório das aves expostas, mesmo que ainda não sintomáticas.

Tempo de inatividade do saneamento — períodos vazios de 21 dias antes do reabastecimento, durante os quais não são geradas receitas.

Danos na confiança do consumidor — mesmo os surtos localizados podem diminuir a procura de produtos regionais.

As medidas preventivas actualmente em vigor – proibições de caça, actualizações de diagnóstico, vigilância agrícola – acarretam custos medidos em milhares de euros. Um surto real no sector comercial ascenderia a milhões, ameaçando os meios de subsistência em toda a economia agrícola das ilhas.

Suspensão de caça e restrições de mercado

O 13 de agosto, proibição de caça aos pombos-das-rochas afecta práticas tradicionais em todo o arquipélago, onde as aves têm sido historicamente uma espécie cinegética e uma praga ocasional. A proibição manter-se-á até que a doença seja erradicada das populações selvagens e as avaliações do impacto ecológico estejam concluídas – um prazo que poderá prolongar-se por meses ou mais.

Da mesma forma, a suspensão do feiras, mercados e exposições de pássaros requer autorização prévia da Direção Regional de Agricultura, travando efetivamente eventos que concentrem aves de múltiplas origens. Estas reuniões representam ambientes de alto risco para a propagação viral e as melhores práticas internacionais recomendam a sua proibição durante surtos activos.

As medidas estão alinhadas com Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) directrizes para o controlo de Newcastle em regiões em transição do estatuto de indemnidade de doença para endémico, embora a situação dos Açores seja diferente dos surtos típicos, na medida em que as populações selvagens, e não domésticas, são actualmente o reservatório.

Contexto Internacional: Um Desafio Familiar

A doença de Newcastle circula endemicamente na Ásia, África, Médio Oriente e partes da América do Sul, onde programas contínuos de vacinação e vigilância são padrão. As nações europeias, incluindo Portugal continental, mantêm a vacinação obrigatória para as aves domésticas precisamente para proteger contra incursões de populações de aves selvagens.

O surto de 2026 no norte de Portugal e o incidente de Porto Santo em 2017 demonstram que mesmo os territórios insulares com isolamento geográfico permanecem vulneráveis ​​à introdução através de espécies migratórias. A posição dos Açores no meio do Atlântico coloca-os ao longo de rotas de voo utilizadas por numerosas aves marinhas e passeriformes, alguns dos quais podem transportar infecções subclínicas através de grandes distâncias.

A vacinação reduz a gravidade clínica e a disseminação viral, mas não garante imunidade completa – as aves vacinadas ainda podem replicar e transmitir o vírus em níveis mais baixos, complicando os esforços de erradicação. Esta realidade faz da biossegurança e da separação física a pedra angular da prevenção, particularmente em regiões onde persistem populações de reservatórios selvagens.

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