Existem derrotas que envergonham, e outras que ensinam. A derrota no MetLife Stadium diante da Noruega pertence à segunda espécie — desde que haja coragem de olhar além do placar.
Eu estava lá. Do meu lugar, assisti a um primeiro jogo antes do jogo: o das torcidas. De um lado, uma maré vinda do Norte, densa, vestida de vermelho e ensurdecedora; do outro, algumas camisas verde-claro dispersas nesta arena grandiosa.
Porque as esperanças de Mundial da maioria de nossos torcedores senegaleses do 12º Gaïndé tinham se quebrado contra um muro que nenhum drible poderia transpor: o dos vistos. Os Vikings atravessaram os oceanos cantando, enquanto nós ainda tropeçávamos nas guichês dos consulados americanos. Assim, antes mesmo do apito inicial, uma primeira metade já estava perdida — e aquela não aparecerá em nenhuma folha de jogo.
Vamos à ferida, sem rodeios. Não caímos sob os golpes de remo dos Vikings: fomos nós quem lhes oferecemos a vitória, em prato de prata. Um passe falho de Koulibaly abriu caminho para Pedersen; o mesmo Koulibaly cometeu outra falta no segundo gol, assinado Haaland ao término de um contra-ataque orquestrado por Ødegaard.
Pelo seu jogo vertical e pela sua lâmina afiada, os escandinavos não fizeram mais do que recolher o que nossa posse lenta, tornada demasiado legível, lhes entregava a cada relance. Eis a verdade do jogo, e ela é cruel na justa precisão: nosso mal não é a falta de talento, é a previsibilidade.
E, ainda assim.
No coração mesmo do naufrágio, um homem recusou-se a submergir. Por duas vezes, Ismaïla Sarr levantou os nossos, até tornar-se o melhor marcador da história do Senegal em Copas do Mundo. Perdemos, tudo bem. Mas caímos de pé — e a nuance, aqui, não é consolo: é uma promessa.
Então deixemos o velório de lado.
A esperança, no Mundial, não é um sentimento: é um cálculo. Os oito melhores terceiros entre doze avançam aos oitavos de final, e é por essa porta estreita que os Leões devem agora passar. Estamos em terceiro lugar, com zero ponto, com saldo de gols menor em três; o Iraque nos segue, também com zero, mas com saldo de gols menor em seis. O encontro está marcado para 26 de junho, em Toronto. A sentença é cristalina: perder é morrer; empatar é agonizar. É preciso vencer. Mas vencer não será suficiente.
Três pontos pesam na balança dos terceiros apenas se o saldo de gols os acompanhar. Estamos a menos três: teremos, portanto, de vencer por três gols de diferença, com a baliza fechada, para restabelecer nosso saldo. Cada gol marcado será um degrau subido; cada gol evitado, um degrau salvo. Essa é a condição inteira de nossa sobrevivência.
Mas o milagre do futebol também é oferecer ao torcedor fatias de vida que não aparecem em nenhum placar. Na véspera, no Meadowlands Plaza, este hotel situado a poucos passos do estádio, Doudou Fam, meu cúmplice dos grandes encontros dos Leões, e eu iniciamos uma conversa com torcedores noruegueses. Rimos, comparando nossas esperanças às nossas ansiedades.
Antes da partida, um mesmo ônibus nos levou ao estádio — camisas verde-claro e vermelhas entrelaçadas, adversários de uma noite, irmãos para sempre. No gramado, Haaland nos puniu; naquele ônibus, um Viking me estendeu a mão. Eis o que os placares esquecem e a memória guarda: perdemos uma partida e ganhamos irmãos.
Nenhuma dor, portanto, nem ilusão. Uma final nos espera em Toronto e um bom cuscuz de Tamkharite. Eu estarei lá. Vencemos por goleada, guardemos nosso gol e oremos. O Rei Leão caiu com as armas na mão — resta-lhe apenas um rugido.
Por Fadel Ndaw, especialista em água e saneamento
MetLife Stadium — New Jersey
