O governo do Senegal revelou um importante programa de ações para a campanha agrícola 2026-2027. Uma dotação de 130 mil milhões de FCfa e uma nova orientação estratégica, centrada na produtividade, na resiliência climática e na estruturação das cadeias de valor, foram delineadas.
Durante o Conselho Interministerial dedicado, na terça-feira, 30 de junho de 2026, à preparação da campanha agrícola, o Primeiro-Ministro Ahmadou Al Aminou Mouhamed Lô apresentou uma folha de rota centrada na soberania alimentar e na modernização dos instrumentos de política agrícola. Apesar dos resultados considerados globalmente satisfatórios da campanha anterior, marcada pelo aumento da produção de cereais e pela melhoria de alguns setores estratégicos, o governo reconhece atuar num ambiente mais restrito.
A dotação de 130 bilhões de FCfa, inscrita no orçamento de 2026, constitui a base do dispositivo. « Ela deverá financiar os insumos agrícolas, as infraestruturas hidráulicas, a mecanização e as ferramentas de digitalização. A isso soma-se um plano de regularização dos compromissos do Estado, estimado em quase 90 bilhões de FCfa, destinado a saneamento da tesouraria dos operadores e a melhorar a fluidez da campanha », informou o Primeiro-Ministro.
Para assegurar a implementação, o Estado pretende fortalecer os mecanismos de financiamento inovadores, envolvendo mais ativamente o setor bancário, nomeadamente o Banco Agrícola, o Banco Nacional de Desenvolvimento e o Banco da Habitação do Senegal, com o apoio do Fongip.
Digitalisation
Na mesma dinâmica, Ahmadou Al Aminou Lô solicitou ao governo que « elabore um plano de regularização rápida das faturas a pagar aos fornecedores de fertilizantes e sementes ». Exortou, ainda, os ministros competentes, incluindo o da Agricultura, Cheikhou Oumar Ba, a iniciar consultas com o agregado bancário, os sistemas financeiros descentralizados e a BCEAO, para mobilizar o crédito de campanha necessário ao pré-financiamento dos insumos pelos operadores. A reforma principal desta campanha repousa na digitalização gradual da distribuição de insumos agrícolas.
Já testada em algumas zonas piloto, essa abordagem será generalizada para reforçar a transparência, reduzir as fugas e melhorar o direcionamento dos beneficiários. O dispositivo será acoplado ao Registro Nacional Único para melhor identificar os produtores. Nessa mesma linha, 1000 jovens voluntários da agricultura serão mobilizados por todo o território. A missão deles consistirá em apoiar o recenseamento digital dos agricultores, a geolocalização das parcelas e o acompanhamento das culturas, contribuindo assim para uma melhor governança das políticas agrícolas.
O foco também está na equidade, com o objetivo de destinar pelo menos 30% dos insumos às mulheres e aos jovens. No plano das filieras, a estratégia assenta na contratualização e na garantia de saídas. Para o arroz, os esforços visarão a fluidificação dos estoques e uma melhor regulação do mercado. O milho beneficiará de um programa reforçado de variedades híbridas e de acordos que integrem as necessidades da pecuária, nomeadamente através do desenvolvimento de ensilagem.
Quanto ao amendoim, ele insere-se numa reforma progressiva destinada a reforçar o papel do setor privado, mantendo ao mesmo tempo um acompanhamento público sobre a qualidade e a estabilidade dos preços. Diante dos riscos climáticos, o governo aposta na diversificação de culturas e na introdução gradual de um sistema de seguro agrícola indicativo. Esse mecanismo, lastreado pelas variações meteorológicas, pretende proteger os produtores contra choques decorrentes da instabilidade das estações.
As culturas de ciclo curto e resilientes também beneficiarão de um apoio reforçado em sementes e equipamentos. Por fim, a pesquisa agrícola deverá desempenhar um papel central nesta nova estratégia. Serão previstos recursos adicionais para apoiar os institutos especializados, especialmente na cartografia dos solos e no aumento da fertilidade do solo. O objetivo é acelerar a modernização das práticas agrícolas e melhorar de forma sustentável os rendimentos.
Contractualisation
Para o arroz, a estratégia escolhida passa pela generalização de um dispositivo de contratualização obrigatória entre produtores, rizicultores e distribuidores. O milho segue a mesma trajetória. O projeto « Granário do Milho » avança para o próximo patamar com a introdução de variedades híbridas subsidiadas e tolerantes ao estresse hídrico.
O Estado pretende atingir pelo menos 50.000 toneladas contratualizadas por meio de acordos tripartites que incluam os fornecedores. Essa ponte entre agricultura e pecuária também se evidencia por um programa de ensilagem de milho em 5.000 hectares, com a disponibilização gratuita de insumos para os pecuaristas. Para o amendoim, o chefe do Governo solicitou a finalização, até 31 de julho de 2026, de um acordo-quadro com o Comité Nacional da Interprofissão do Amendoim.
Pathé NIANG
