Em Bignona, viveiros de árvores frutíferas inundam as margens do mercado. Os viveiristas vindos do interior do departamento, especialmente da zona de Kafountine, ensaiam sorrisos de satisfação.
BIGNONA – É comum vê-los voando sobre os porta-malas de carros particulares ou de transporte público, em bicicletas, triciclos, etc. Os destinos são desconhecidos, mas boa parte deles acaba no mercado de Bignona. Aqui, as mudas cobrem um dos acostamentos da Rodovia Nacional 4 (RN4). Com torrões de terra úmida que denunciam a origem argilosa do solo de onde foram arrancadas, laranjeiras de várias variedades, mangueiras enxertadas ou comuns, goiabeiras, jaqueiras, flores de ornamentação… acompanham a curva da estrada.
Outras ainda estão em seus saquinhos pretos cheios de terra. Quem atua nesse comércio vem de regiões distantes. « Venho de Kounkoudiang. Essas mudas vieram do meu jardim. Trago 400 mudas, mas sobraram apenas 150 », declara Moussa Kambaye, mostrando o restante da sua produção.
« Vendemos as laranjeiras a 1.500 FCfa e as mangueiras a 2.000 FCfa. Estas últimas demoram mais para produzir, enquanto um ano é suficiente para as laranjeiras. Mas tudo depende do adubo. Usamos adubo orgânico, esterco », explica este morador guineense com grande dificuldade. O período e o local escolhido para expor esses plantios são estratégicos.
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A RN4 é indispensável para ligar Ziguinchor, a capital regional, e a Guiné-Bissau, enquanto a mesma estrada leva à fronteira com a República irmã da Gâmbia. É também um ponto de encontro para chegar ao norte do país. « Fazem quatro anos que venho vender aqui na mesma época; a atividade funciona muito bem », confessa Yancouba, também viveirista de origem guineense, radicado em Kounkoudiang, uma vila fronteiriça da Gâmbia, no município de Kataba 1.
Seydou Bodian, morador de Nématoulaye, bairro da comuna de Tenghory, acabou de comprar três laranjeiras enxertadas. Este professor relembrou a importância de ter árvores frutíferas em casa.
« É para substituir cajueiros que derrubei para construir a casa. As mudas asseguram a segurança alimentar e a sombra; o que pode contribuir para manter as crianças em casa e evitar que vão roubar frutos dos vizinhos. Além disso, uma casa com árvores frutíferas é sempre frequentada », explica o Sr. Bodian, já na casa dos cinqüentões. « Também ajuda a proteger as casas contra tempestades », acrescenta. Ele prefere mudas enxertadas, pois as comuns, diz ele, demoram muito mais para começar a produzir.
Uma boa oportunidade para os revendedores
« Contudo, elas resistem melhor ao vento. Além disso, suas flores não caem como as das mudas enxertadas », explica outro cliente que saiu apressadamente após pagar uma boa quantidade de mudas. « As categorias de porte curto produzem mais rápido, mas são difíceis de manter », acrescenta Bodian. A revendedora Lucie Diatta está satisfeita por aprender mais sobre as mudas. Ela diz adquirir técnicas e saberes de seus clientes.
A jovem iniciou-se nessa atividade há três anos. Mas a venda de viveiros é apenas uma alternativa para ela. Formada em confeitaria, Lucie, conhecida como Sra. Diatta, troca o avental por botas e por um conjunto de calças para tornar-se vendedora de viveiros entre julho e agosto. « Meus clientes vêm de toda parte. Já tenho clientes até na Guiné-Bissau », gaba-se a jovem comerciante, de estatura mediana e pele negra.
As suas mudas vêm de Birassou, uma aldeia da comuna de Kataba 1, no departamento de Bignona. Segundo ela, a atividade é lucrativa. Ela compra cada muda por 1.000 FCfa e revende por 1.500 FCfa. « Consigo realmente satisfazer minhas necessidades sem ajuda de ninguém », confessa Lucie. Fatou Dominos Sané, chamada Méra, também vem de Kounkoudiang para vender seus viveiros de árvores frutíferas. Ela expõe na calçada da RN4 mudas de mangueiras, de jaqueiras, de laranjeiras e de goiabeiras.
Mãe e sustento da família, ela começou vendendo legumes na vila, depois castanha de caju e outras mercadorias. Esse negócio permitiu que ela tivesse espaço para cuidar de suas mudas. Hoje ela é uma viveirista. « Embora tenha concluído o ensino médio em letras, perdi meus diplomas. Então voltei a trabalhar na terra até ter um jardim 50/50. Trabalho nele há quatro anos », conta.
