A angústia cresce em torno do desaparecimento de um empresário américo‑espanhol no enigmático Triângulo das Bermudas, depois de o seu bote salva‑vidas ter sido encontrado vazio com todos os documentos a bordo. As buscas prosseguem, mas a esperança torna‑se frágil.
[Foto do bote salva-vidas vazio — imagem do artigo original]
O que se sabe até agora
As autoridades confirmam que o bote pertencia ao veleiro de Miguel Campoy, 56 anos, um marinheiro experiente e proprietário de uma empresa de aluguer de embarcações em Miami. No interior, estavam o seu passaporte, cartões de crédito e a baliza de emergência — intactos e sem sinais de luta.
- Partida a 6 de setembro, às 10h15, de South Abaco com destino a New Providence.
- Embarcação: veleiro azul de 13 metros, matrícula FL0011MU, conduzido por um capitão certificado.
- Após seis horas de viagem, envio de uma imagem da aplicação Avionics com a rota e os dados de navegação.
- Previsão de mais 8 a 10 horas de mar até ao destino.
- Depois, silêncio absoluto nas comunicações.
- Bote salva‑vidas avistado pela Guarda‑Costeira dos EUA e inspeccionado pela Força de Defesa Real das Bahamas.
- Dentro, os papéis e a baliza, mas nenhum sinal do tripulante ou do veleiro.
[Imagem da captura da app Avionics com a rota — imagem do artigo original]
O rasto interrompido
O último contacto conhecido chegou por mensagem, com uma fotografia da aplicação Avionics, onde se via o curso traçado entre Abaco e New Providence. O mar estava relativamente estável, segundo relatos, e a janela de navegação parecia segura. Nada, porém, explica por que motivo o bote foi libertado — ou como os documentos e a baliza foram deixados a bordo.
A ausência da baliza em funcionamento intriga os especialistas. Em situações de emergência, é frequente accionar o dispositivo, permitindo um resgate célere. O facto de a baliza ter sido encontrada no bote, sem registo de activação, levanta a hipótese de um evento súbito.
Buscas intensas, respostas escassas
A Guarda‑Costeira dos Estados Unidos assinalou o bote à deriva, tendo a Força de Defesa Real das Bahamas conduzido operações no mar circundante. Foram mobilizados aviões, embarcações e equipas de vigilância para varrer uma área extensa do Atlântico ocidental. Apesar do esforço logístico, nem o veleiro nem o capitão foram localizados.
A família fretou aeronaves particulares para ampliar a cobertura da zona, sem resultados concretos. Entretanto, as autoridades norte‑americanas anunciaram a suspensão das buscas oficiais, enquanto persistem acções pontuais das forças das Bahamas. O Governo de Espanha foi contactado para avaliar meios adicionais que possam ser mobilizados.
Voz da família
Miriam, irmã de Miguel, descreve‑o como um profissional metódico, com hábitos de segurança exemplar e contacto diário com os seus. “O meu irmão é um capitão qualificado, um nadador treinado e alguém que nunca negligencia os procedimentos. Se houve um problema, foi algo tão rápido que não lhe deu tempo para reagir”, disse aos media locais. Segundo a família, Miguel navegava para recolher dois amigos vindos de Espanha e iniciar uma cruzeiro nas Exumas — plano que nunca chegou a cumprir.
Triângulo das Bermudas: mito, mar e probabilidades
A zona que liga as Bermudas, a Florida e Porto Rico carrega um legado de lendas, reforçado por desaparecimentos de navios e aeronaves. Especialistas lembram, porém, que se trata de um corredor marítimo e aéreo muito movimentado, sujeito a tempestades repentinas, correntes traiçoeiras e erros de navegação. A combinação de tráfego intenso e condições variáveis aumenta a probabilidade de incidentes — sem necessidade de explicações sobrenaturais.
No caso de Miguel Campoy, a ausência de destroços, sinais de colisão ou pedidos de socorro limita o campo das hipóteses. Uma avaria elétrica, uma entrada súbita de água, ou até uma queda ao mar podem ajustar‑se aos indícios, mas nada pode ser afirmado com total certeza.
O que falta esclarecer
As próximas etapas dependem de correntes, drift e eventuais achados em linhas de costa. Sem sinais do casco ou de velas, cada hora torna a busca mais difícil. Ainda assim, os familiares pedem para que se mantenha a vigilância e para que navegadores na região reportem qualquer vestígio.
- Qual foi o momento exacto em que o rasto se perdeu no radar e na aplicação Avionics?
- Porque é que a baliza de emergência não foi activada, apesar de estar no bote salva‑vidas?
- Em que circunstâncias o bote foi libertado do veleiro de 13 metros?
- Existem relatos de tráfego marítimo ou meteorologia anómala na janela da travessia?
A história de Miguel Campoy está agora suspensa entre a disciplina de um marujo experiente e as armadilhas de um oceano imprevisível. No litoral português, onde o mar é parte da nossa identidade, acompanha‑se com atenção e solidariedade o desfecho deste caso. Enquanto não surgirem novas pistas, resta a esperança — e a convicção de que cada detalhe, por mais pequeno, pode fazer a diferença entre o silêncio e a resposta.
