Irreal! Surreal! O que acabamos de ver? Uma demonstração formidável de caráter, talento e resiliência. O empate de Enzo Fernández, aos 85 minutos do tempo regulamentar, permitiu à Argentina recuperar o placar diante de uma Inglaterra encolhida na área. Grande erro, Mister Tuchel!
E então veio essa explosão de alegria, esse transbordar de sentimentos, de coragem, de abnegação e de gênio. Porque esta Argentina é uma equipe singular. Às vezes parece uma turma de « malfeitores »… perdão, de combatentes, sempre à beira da regularidade, mas constantemente transcendidos por um gênio absoluto. Esse gênio é Lionel Messi. Santo Messi. Aquele de quem se recorre quando tudo parece perdido. Vá perguntar ao Cabo Verde. Ou melhor ainda ao Egito, virado em apenas dez minutos, mesmo tendo duas vantagens. O Senegal não detém o monopólio dos corações partidos.
Mas vamos deixar de lado essas lembranças dolorosas e celebrar Messi. Aquele que ilumina os momentos mais sombrios. Aquele que transforma o impossível em evidente. O detentor de oito Bolas de Ouro guiou a Albiceleste rumo a uma nova final mundial. Aos 39 anos, ele ainda fez falar seu gênio: aos 92 minutos, um impulso de quadril como de costume, um centro milimétrico com o pé direito e o cabeceamento vitorioso de Lautaro Martínez para o gol de qualificação. As cartas já foram lançadas. Os dados estão lançados. A Argentina enfrentará agora a Espanha, no domingo, para um encontro com a história.
A Argentina sonha com um quarto título mundial. Depois de 1978, quando ainda se vê Mario Kempes sob uma chuva de confetes em Buenos Aires; depois de 1986, com Diego Armando Maradona, Jorge Valdano e Jorge Burruchaga; depois de 2022, quando Messi finalmente ergueu a Taça do Mundo ao término de uma final de antologia contra a França de Kylian Mbappé, decidida nos pênaltis após um incrível 3-3.
Do lado oposto, a Inglaterra terá ainda de esperar. Sua única estrela, aquela de 1966, permanece sozinha no auge de sua história. Apesar das defesas excepcionais de Jordan Pickford, cuja uma lembra muito a de Gordon Banks contra Pelé em 1970, apesar de uma resistência heroica, os Three Lions acabaram cedendo.
A Albiceleste, por sua vez, continua o seu destino. Uma equipe que vai além do seu talento. Uma equipe que vive de coragem, de solidariedade, de sacrifício e de gênio. Uma equipe que nunca desiste. No domingo, enfrentará novamente a Espanha, que derrubou a França com autoridade. Uma final que promete ser solemníssima. A Argentina é eterna. Eterna na sua busca. Eterna no seu desejo de vencer. Eterna na sua capacidade de se reinventar quando tudo parece escapar-lhe.
O encontro está marcado. A Albiceleste está a noventa minutos (ou mais) de conquistar um quarto título mundial.
Moussa DIOP
