Em Tambacounda, a aldeia artesanal, sob a tutela da Câmara dos Ofícios, permanece um espaço central para a promoção dos saberes locais, apesar das constrições estruturais persistentes. Nesta entrevista, o seu presidente, Abdoulaye Sarr, retorna sobre o modo de gestão do espaço, os mecanismos de apoio aos artesãos e as dificuldades associadas ao financiamento, às infraestruturas e ao acesso às matérias-primas.
Qual é o papel da Câmara dos Ofícios na gestão da aldeia artesanal de Tambacounda e como ela é administrada?
A aldeia artesanal faz parte das estruturas sob a responsabilidade da Câmara dos Ofícios. Trata-se de um espaço dedicado aos artesãos da região e funciona segundo uma organização bem definida. A cada seis anos realizam-se eleições para formar um comitê de gestão composto por 27 membros. Estes elegem, entre si, um presidente para um mandato de três anos, renovável. Sob a direção do presidente, o comitê assegura a administração e o bom funcionamento da aldeia durante todo o mandato. Embora esteja sob a tutela da Câmara dos Ofícios, o local dispõe, assim, de uma gestão estruturada e representativa das diferentes categorias profissionais. A aldeia reúne uma grande diversidade de artesãos, nomeadamente nas áreas da escultura, da sapatearia, da joalheria, da costura e da restauração. As profissões de arte ali estão particularmente bem representadas.
Como a Câmara dos Ofícios assiste os artesãos nas suas atividades dentro da aldeia?
Nós os apoiamos da mesma forma que apoiamos todos os artesãos da região. O acompanhamento ocorre em termos de formação, de mediação para oportunidades de negócio ou ainda de assistência social. Por exemplo, durante a pandemia de Covid-19, graças ao apoio da Câmara dos Ofícios, os artesãos puderam beneficiar-se de assistência do Estado de forma considerável através do Fundo Force-Covid. Continuamos a apoiar os artesãos em termos de oportunidades turísticas. Os artesãos asseguram-se de ter um lugar privilegiado nas feiras que a Câmara dos Ofícios organiza com frequência na região. Em tais atividades, esforçamo-nos por lhes conceder facilidades, seja em termos de contribuições, de exonerações, etc. Além disso, acompanhamo-los também em feiras que se realizam em Dakar ou noutras regiões.
Os artesãos apontam a deterioração da aldeia e pedem a sua modernização. Existe um projeto de reabilitação ou de modernização do local?
Essa tem sido a nossa principal preocupação há vários anos. Na prática, desejamos uma verdadeira reconstrução do espaço, para que este esteja adequado aos requisitos modernos. Felizmente, essa ambição parece hoje alinhar-se com a visão do atual ministro da Cultura, Amadou Ba. De modo geral, o seu projeto não se refere apenas a Tambacounda, mas a todas as aldeias artesanais do país, com o objetivo de as adaptar à modernidade. É justo reconhecer que, há alguns anos, essas casas podiam ser aceitáveis. Contudo, hoje elas não correspondem às expectativas nem ao nível de desenvolvimento que almejamos. Daí a necessidade de reconstruir. Certamente, promessas foram feitas no passado, sem resultados concretos até agora. Mas desta vez esperamos que as coisas avancem com o governo atual. A nossa ambição não se limita a reconstruir, mas também a adaptar as infraestruturas às nossas necessidades atuais, nomeadamente com o arranjo de um parque de exposições e de outros equipamentos. Isso nos permitiria organizar, em melhores condições, a Feira Regional do Artesanato de Tambacounda (Frata). Hoje, essa feira ganhou uma dimensão importante. Tornou-se nacional, talvez até sub-regional, com a participação de artesãos de vários países, graças, nomeadamente, ao acompanhamento da Uemoa.
O que explica, em Tambacounda, que apesar da disponibilidade de terreno, seja difícil encontrar uma área adequada para construir uma aldeia artesanal condizente?
No que diz respeito às infraestruturas culturais, devo dizer que a região fica um pouco deixada de lado. Em toda a região, existe apenas uma aldeia artesanal, e os outros departamentos também não dispõem de nenhuma. Contudo, em algumas regiões, é possível encontrar dois, ou até três espaços dedicados aos artesãos. Ainda melhor, estruturas de apoio como centros de recursos ou de aperfeiçoamento, presentes noutras áreas, faltam aqui. Existia outrora o Centro de Aperfeiçoamento dos Artesãos Rurais (Cpar), mas, há algum tempo, deixou de funcionar. Em certo momento, uma ONG reformou parte do edifício em parceria com o Conselho Departamental. Contudo, até à data, o centro permanece indisponível, por falta de equipamentos.
Para além dessas dificuldades estruturais, os artesãos enfrentam também obstáculos de financiamento. Como é a situação realmente?
Sim, o financiamento também é um problema recorrente e muito grave com que lidamos. De facto, o modelo empreendedor do artesanato é bastante específico; por isso é necessário um financiamento adaptado ao setor. Anteriormente tínhamos uma mutualidade entre artesãos, mas ela já não funciona. No entanto, devo dizer que o problema do financiamento no meio artesanal não é exclusivo da região; todos os artesãos do Senegal enfrentam-no. Por isso é necessária uma solução estrutural. Em nível nacional, estão a ser feitos esforços. Com o apoio do Fongip (Fundo de Garantia de Investimentos Prioritários) e em colaboração com a Pamecas, vislumbramos encontrar soluções de financiamento para os artesãos. O mesmo se verifica na região, onde procurávamos, em parceria com o Fongip, apoiar os agentes a encontrar financiamento junto de instituições financeiras.
Proposições recolhidas por Souleymane WANE
