Com pouco mais de cinquenta anos, Aminata Faye não optou entre ensinar, servir a sua comunidade e cultivar a terra. Ela decidiu que todas essas vidas cabem numa só. Na sua vila natal, Ndorong Lôg, no município de Mbam, esta professora dirige várias atividades ao mesmo tempo. Primeira vice-prefeita do município de Mbam, empresária na criação de animais e na agricultura, ela também se dedica ao desenvolvimento das mulheres.
Algumas gotas de chuva caem sobre a ampla residência de Aminata Faye. Mas elas parecem não ter efeito sobre a mulher de meia-idade. Mal recebidos, já a vemos em ação, passando de um cercado a outro, ocupada com seus animais com uma simplicidade desconcertante. Aqui, não há escritório, nem pilhas de papéis nem cadeira de primeira adjunta ao prefeito. A eleita dá lugar à criadora de animais.
No início da tarde de quinta-feira, Aminata Faye está no seu elemento. Galos, pombos, cabras, codornas, ovelhas… sua casa abriga uma verdadeira galinheira, onde cada animal parece ter o seu espaço. Ela não hesita em colocar a mão na massa para alimentá-los e cuidar deles. Gestos simples, repetidos com cuidado, para esses animais que ela os considera membros em pleno direito da sua família.
Ao seu lado, as poucas gotas de chuva tornam-se quase um detalhe. A mulher de cinquenta e poucos anos avança, alimenta, verifica, se mantém ativa. Uma cena que contrasta com o seu traje de eleita.
Mas mal terminada essa tarefa, não há espaço para descansar. Direção ao huerto (horta), situado logo ao lado. Depois dos animais, a terra. Outra parte do seu cotidiano, igualmente familiar, onde a empresária continua seu vai-e-vem entre criação, agricultura e responsabilidades.
Legado familiar
O vínculo com a agricultura não é de hoje. Remonta à infância, numa época em que o pai, embora policial, já ensinava aos filhos o gosto pela terra. « Sempre amei a terra, os animais e tudo », conta ela. Uma paixão que se enraizou ao longo dos anos e que, ainda hoje, orienta as suas escolhas.
Seu pai deixou para eles mais de 30 hectares. Para Aminata Faye, essa terra não é apenas um patrimônio familiar. É uma promessa de continuidade. Ela vê nesse espaço a capacidade de alimentar a família, os animais e, quando a produção permite, gerar renda.
Ela defende, além disso, uma agricultura biológica, convicta de que o uso excessivo de fertilizantes acaba por afetar a terra, os animais e os consumidores. Para ela, produzir não é apenas colher, mas também preservar o que permitirá produzir amanhã.
Na sua trajetória como empresária, a criação de animais ocupa um lugar de destaque. Ela começou modestamente, com alguns animais destinados principalmente ao consumo familiar. Depois, em 2020, atingiu um marco ao construir um galpão capaz de receber 600 frangos de corte. Desde então, mudou de modelo e passou a apostar nas galinhas locais, que considera mais interessantes a longo prazo, pois permitem extrair vários produtos da criação: carne, ovos e pintinhos.
Além disso, surgem ovelhas e caprinos. Novamente, a motivação principal continua a ser a autossuficiência familiar. Ter animais em casa, explica, permite dispor de carne para a família, mas também vender caso haja necessidade.
Organização rigorosa
Para Aminata Faye, o empreendedorismo não é apenas uma questão de lucro. É também uma questão de segurança, de previsão e de solidariedade familiar. Para essa mulher de cinquenta e poucos anos, a chave do seu sucesso empreendedor reside no prazer que ela sente ao fazer o que faz. « Quando se ama uma atividade, o tempo que se dedica a ela acaba por esquecer-se », diz ela, com um sorriso nos lábios.
Sua organização profissional contribui para isso também. « Na escola, eu conto com uma turma cujos horários me permitem estar mais disponível à tarde. Na prefeitura, meu status de primeira vice-prefeita também me permite gerir algumas reuniões e determinados assuntos », confidencia, retornando à sua organização diária.
Uma visão particular do empreendedorismo
A Aminata Faye não romantiza o empreendedorismo. Ela conhece os riscos, especialmente quando se trata de produzir de forma biológica. As perdas fazem parte da trajetória, afirma. « A empresária precisa saber assumir riscos, aprender com os seus fracassos e reajustar », opina.
Sua concepção de empresa assemelha-se, aliás, bastante à concepção de ensino. Diante de uma dificuldade em uma sala de aula, o professor busca uma solução. Para ela, o mesmo vale para o empreendedorismo: entender o que não funcionou, corrigir e recomeçar.
A paciência é, portanto, uma das qualidades que ela coloca no coração da jornada empreendedora. Não há como, aos seus olhos, pensar em enriquecer da noite para o dia. « Gosto de levar o meu tempo », afirma.
A mulher no centro de sua luta
Por detrás das galinhas, dos campos e das responsabilidades municipais desenha-se uma luta que lhe é particularmente cara: a autonomia das mulheres. Aminata Faye recusa, porém, reduzir esse conceito apenas ao dinheiro, aos bens materiais ou à aparência social. Para ela, uma mulher autônoma não é necessariamente aquela que possui um carro caro ou que exibe sinais externos de riqueza. A autonomia também está na capacidade de sustentar a família, cuidar dos seus e manter-se fiel aos seus princípios.
Sua ambição vai além da sua exploração pessoal. Ela quer contribuir mais para a autonomia das mulheres e lembrá-las de seu valor na sociedade. « Minha luta é que a mulher saiba que não é coisa pequena. Ela não é manipulável », afirma.
Arame NDIAYE (texto) – Mamoune DIOP (imagem e vídeo)
