Domingo à noite, um bairro do Seixal foi abalado por uma sequência de disparos que atingiu a fachada de um talho com certificação halal. Segundo fonte policial, vários tiros de kalashnikov foram efetuados contra o estabelecimento, deixando marcas visíveis no gradeamento metálico e um rasto de medo entre moradores.
O ataque ocorreu por volta das 22h00, nas imediações do Bairro das Palmeiras, na zona norte da cidade. O talho encontrava-se encerrado, e não há registo de feridos. No local, os peritos recolheram quatro invólucros de 7,62 mm, compatíveis com uma arma de tipo kalashnikov, reforçando a hipótese de um ato premeditado e de elevado potencial letal.
Tentativa de extorsão horas antes?
De acordo com um testemunho recolhido no local, quatro homens encapuzados e vestidos de preto saíram de um automóvel e aproximaram-se do estabelecimento. Um deles, empunhando uma kalashnikov, disparou quatro vezes em direção ao talho antes de regressar ao veículo, com o grupo a fugir rapidamente pela via principal. As autoridades lançaram um alerta e reforçaram o patrulhamento, mas os suspeitos continuam em paradeiro desconhecido.
Fontes próximas da investigação confirmam a possibilidade de uma tentativa de extorsão ao proprietário do talho algumas horas antes do ataque. Dois homens mascarados terão abordado o comerciante, exigindo dinheiro e fazendo ameaças ao negócio. Esta linha de inquirição está a ser cruzada com imagens de videovigilância e chamadas telefónicas, numa tentativa de identificar os autores.
“Ouvi quatro estoiros secos e depois um carro a acelerar como se fosse um arranque de corrida. Foi tudo muito rápido, mas deu para sentir que não eram foguetes”, relatou ao nosso jornal uma moradora, visivelmente nervosa com o sucedido.
O que se sabe até agora
- Disparos efetuados com arma de tipo kalashnikov, munição 7,62 mm.
- Ataque registado por volta das 22h00, numa zona residencial do Seixal.
- O talho estava fechado e não há feridos a registar.
- Quatro indivíduos encapuzados, vestidos de preto, fugiram de carro.
- Há indícios de tentativa de extorsão ao proprietário no mesmo dia.
- A PJ e a PSP recolhem imagens de CCTV e apuram testemunhos.
Comunidade em choque, comércio sob pressão
Na manhã seguinte, moradores e comerciantes juntaram-se em frente ao talho, trocando impressões e palavras de solidariedade. Muitos descrevem um sentimento de insegurança crescente, sobretudo após o cair da noite. Para alguns, a escolha de um talho halal como alvo levanta o receio de um eventual ataque com contornos de intimidação direcionada, ainda que as autoridades insistam na prudência e no rigor da prova.
Líderes da comunidade muçulmana local apelam à calma e rejeitam qualquer leitura sectária. “A nossa prioridade é a paz social e a segurança de todos os cidadãos. Um crime é um crime, e não pode ser confundido com a religião de quem o sofre”, afirmou um representante associativo, pedindo uma resposta rápida das autoridades e apoio aos pequenos empresários.
Resposta policial e próximos passos
A PSP do Seixal montou um dispositivo de patrulhamento reforçado, enquanto a Polícia Judiciária assumiu a condução da investigação. Foram realizados exames balísticos, recolha de invólucros e perícias ao gradeamento danificado, além do mapeamento de câmaras de videovigilância em artérias adjacentes. As autoridades apelam a quem tenha visto um carro a circular em alta velocidade na zona, entre as 21h50 e as 22h10, que contacte as forças de segurança.
O município manifestou “total repúdio” pelo ataque e garantiu apoio ao comerciante, incluindo acompanhamento psicológico e facilitação de reparações. Estão em análise medidas de prevenção, como iluminação de rua reforçada, incentivos à instalação de CCTV e ações de proximidade com comerciantes em horários de maior risco.
Um alerta sobre extorsão e crime violento
Especialistas em segurança sublinham que a utilização de uma arma de guerra, como a kalashnikov, aponta para um grau de perigosidade invulgar no contexto urbano. Embora Portugal mantenha níveis de criminalidade violenta relativamente baixos, fenómenos de extorsão a comerciantes tendem a ocorrer de forma intermitente e em padrões difíceis de detetar. A combinação de ameaças e exibição de armamento de alto calibre visa provocar choque e submeter as vítimas ao medo.
Para os habitantes, fica o apelo a uma resposta integrada, que una autoridades, autarcas e comunidade. A proteção do comércio de proximidade, vital na economia local, depende de mecanismos de denúncia eficazes, de confiança mútua e da presença visível de meios policiais. Enquanto o talho aguarda a substituição do gradeamento crivado de buracos, o bairro tenta recuperar a sua rotina tranquila, na esperança de que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça.
