Um castelo com décadas de existência na Região Centro de Portugal e um dos monumentos religiosos mais emblemáticos de Lisboa garantiram o seu lugar entre os patrimónios mais celebrados do país. O Castelo de Leiria e o Sé de Lisboa (Catedral de Lisboa) foram coroados vencedores na edição de 2026 das “Novas 7 Maravilhas de Portugal”, um concurso nacional que coloca marcos históricos uns contra os outros para reconhecimento público e promoção turística.
Por que isso é importante
• Sete vencedores em sete categorias foram selecionados através de votação pública, recebendo cada um a designação oficial “Maravilha de Portugal®”.
• Conselhos de turismo e conselhos locais usará esses títulos para aumentar a visibilidade e atrair visitantes nos próximos dois anos.
• Mais de 600 sites competiu originalmente, reduzido por um painel de 140 especialistas antes que a votação pública determinasse os vencedores finais.
Os vencedores foram anunciados durante uma gala televisionada no Palácio Nacional de Sintra em 12 de Setembro, culminando um processo de meses que atraiu um envolvimento público significativo em Portugal.
Os vencedores em todas as categorias
O concurso organizou as inscrições em sete categorias distintas, cada uma representando diferentes épocas e tipos de património construído português. A lista completa de vencedores inclui:
• Castelos (Castelos): Castelo de Leiria — uma fortaleza medieval situada acima da cidade de Leiria, conhecida pelo seu papel estratégico na Reconquista Cristã e pelas suas vistas panorâmicas sobre o vale do rio Lis.
• Religião (Religião): Sé de Lisboa — a igreja mais antiga de Lisboa, construída a partir de 1147, logo após a reconquista da cidade, mesclando elementos arquitetônicos românicos, góticos e barrocos.
• História (História): Ruínas de São Cucufate em Vila de Frades, Vidigueira — complexo de vilas romanas na região do Alentejo, considerado um dos sítios rurais romanos mais bem preservados da Península Ibérica.
• Grandes Obras (Principais Obras): Aqueduto da Usseira em Óbidos — estrutura hidráulica do século XVI que fornecia água à histórica vila muralhada.
• Século XX (Arquitetura do Século XX): Mercados de Olhão — os distintivos edifícios gêmeos do mercado no Algarve, com azulejos tradicionais e posicionamento à beira-mar.
• Século XXI (Arquitetura do Século XXI): Adega Tiago Cabaço em Estremoz — unidade de produção de vinho contemporânea que tem vindo a ganhar reconhecimento pelo seu design moderno integrado na paisagem alentejana.
• Turismo (Turismo): Jardim do Paço Episcopal em Castelo Branco — os jardins barrocos anexos ao antigo palácio episcopal, conhecidos pelos seus desenhos geométricos e estatuária simbólica.
Processo Seletivo Combinado Revisão Especializada com Votação Pública
O caminho para a seleção final durou vários meses e várias fases. O Nova Organização 7 Maravilhas abriu o período de candidaturas no início de 2026, acabando por receber mais de 600 candidaturas de municípios e associações patrimoniais de Portugal continental e ilhas.
Um júri técnico composto por 140 especialistas — identificados pelo Conselho Científico da iniciativa — realizou uma filtragem inicial, restringindo o campo a 147 finalistas. Estes candidatos foram anunciados no dia 29 de Maio no Palácio Nacional de Queluzmarcando o início da participação pública.
A votação ocorreu através de rodadas eliminatórias regionais e nacionais, transmitidas em parceria com TVI. As semifinais regionais aconteceram de 13 de junho a 11 de julho, com 21 competidores por região disputando 14 vagas nas finais regionais. Essas finais, realizadas de 18 de julho a 29 de agosto, produziram 49 candidatos para a semifinal nacional, a 5 de setembro.
A votação decisiva ocorreu em 12 de Setembro, com votos expressos por telefone e a Candidatura ao Passe TVIcada voto custa 1€ mais IVA. Todo o processo foi auditado pela PwC para garantir a transparência.
O que isso significa para os residentes
Para quem vive em Portugal, o impacto prático destas designações será sentido principalmente através da promoção do turismo e do potencial investimento em infraestruturas nos municípios vencedores.
O Turismo de Portugalatravés da sua plataforma VisitPortugal, comprometeu-se a integrar os sete vencedores em campanhas promocionais nacionais durante os próximos dois anos. Isto significa que os viajantes podem esperar uma maior visibilidade destes locais nos escritórios de turismo, no marketing digital e nos itinerários de viagens dirigidos a visitantes nacionais e internacionais.
Os conselhos locais nos municípios vencedores provavelmente aproveitarão a designação para:
• Financiamento seguro para projetos de restauração e conservação.
• Negociar melhores condições com operadores turísticos regionais.
• Justificar investimentos em melhorias de acessibilidade e instalações para visitantes.
O município de Leiria, por exemplo, manifestou “enorme felicidade e orgulho” pela distinção, destacando a mobilização dos residentes durante o período de votação. Em Olhão, as autoridades locais atribuíram à dedicação da comunidade o sucesso dos edifícios do mercado na categoria “Século XX”.
Um retorno após duas décadas
A edição de 2026 marca o regresso do conceito “7 Maravilhas” a Portugal, quase 20 anos após a competição original, em 7 de julho de 2007. Esse concurso anterior selecionou sete vencedores de um único grupo, resultando em locais de referência como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e o Palácio da Pena recebendo as honras inaugurais.
Esta nova edição adotou uma abordagem diferente ao categorizar o património em sete domínios, com o objetivo de fornecer o que os organizadores chamaram de “uma leitura transversal e representativa do património construído ao longo dos séculos”.
A iniciativa procurou também diferenciar entre monumentos puramente históricos e realizações arquitectónicas contemporâneas – daí a separação entre as categorias “Século XX” e “Século XXI”, bem como uma classificação “Grandes Obras” dedicada a feitos de engenharia.
Para os residentes que planeiam passeios culturais em Portugal, a lista oferece uma seleção com curadoria de locais que vão da antiguidade romana à arquitetura moderna, distribuídos por todo o país, do Minho ao Algarve. Os interessados em explorar para além dos circuitos turísticos tradicionais encontrarão entre os vencedores vários destinos menos conhecidos – São Cucufate na Vidigueira, por exemplo, ou o Aqueduto da Usseira em Óbidos – locais que poderão registar um aumento do tráfego de visitantes nos próximos anos.
