Um grupo de moradores juntou-se, na manhã de segunda-feira, ao pé dos prédios no cruzamento da Rua Elias Garcia com a Avenida do Brasil, na Amadora. A noite foi agitada e, ao amanhecer, a confirmação do pior: um homem, na casa dos 40 anos, foi encontrado sem vida no pequeno jardim junto às entradas dos edifícios. Segundo relatos, havia muito sangue no chão, e os meios de socorro nada puderam fazer.
Testemunhas falam de várias facadas, incluindo um golpe profundo na garganta, que terá sido fatal. A PSP isolou imediatamente a zona, enquanto equipas do INEM e da Polícia Judiciária chegavam para recolher as primeiras pistas. Um silêncio denso tomou conta do bairro, quebrado apenas pelos sussurros de quem viu e pelo som distante do trânsito.
O que aconteceu
Por volta das 2h30, vários moradores ouviram gritos vindos do jardim que separa os blocos residenciais. Alguns referem uma breve discussão, seguida de uma correria e de um pedido de ajuda. Pouco depois, um vizinho deu o alerta às autoridades, que chegaram em poucos minutos. A vítima foi encontrada deitada junto ao gradeamento, com sinais claros de agressão por arma branca.
Segundo fonte policial, o homem apresentava múltiplas feridas, compatíveis com ataques sucessivos de faca. O cenário foi considerado de elevada gravidade, levando a PJ a assumir de imediato a investigação. O corpo foi removido para o Instituto Nacional de Medicina Legal, onde será realizada a autópsia de rotina.
Testemunhos de quem viu
No local, o clima era de choque e incredulidade, com moradores a tentarem perceber o inexplicável. “Nunca vi nada assim, havia muito sangue no chão e gente a correr por todo o lado”, contou Dona Teresa, residente no terceiro andar do bloco mais próximo. Outro vizinho, visivelmente abalado, disse que ouviu uma voz “a pedir ajuda” e viu dois indivíduos a afastarem-se rapidamente pela avenida.
A maioria prefere manter-se em silêncio, temendo represálias ou a simples recordação do que presenciou. Muitos pais decidiram não levar as crianças ao parque infantil junto aos prédios, ainda cercado por fitas policiais.
O que se sabe até agora
- A vítima é um homem de cerca de 40 anos, cuja identidade ainda não foi oficialmente confirmada.
- O crime ocorreu entre as 2h e as 3h, numa zona de acesso relativamente escuro.
- Foram recolhidas imagens de videovigilância de lojas e prédios próximos, para análise pela PJ.
- A principal hipótese é o uso de arma branca, não encontrada no local.
- Não há, para já, indícios claros de roubo, elevando a possibilidade de um ajuste de contas ou desentendimento pessoal.
- A PSP reforçou o patrulhamento noturno na área, em coordenação com a Polícia Judiciária.
Reacções das autoridades
A Câmara Municipal da Amadora manifestou “profunda consternação” e garantiu apoio psicológico aos moradores que o solicitarem. Em comunicado, a autarquia reforçou o compromisso com a segurança pública, salientando que vai colaborar com todas as entidades no esclarecimento do caso. A Junta de Freguesia informou que serão avaliadas melhorias na iluminação e no sistema de vigilância da zona.
A PJ, por seu lado, apela à população para que reporte qualquer informação relevante, por mais pequena que pareça. “Cada detalhe pode ser decisivo”, sublinhou uma fonte oficial, destacando a importância de imagens de câmaras particulares e relatos de condóminos.
Medo e solidariedade no bairro
Entre os moradores, mistura-se o sentimento de medo com gestos espontâneos de solidariedade. Algumas pessoas deixaram velas junto ao muro, numa pequena e discreta homenagem. Outros organizaram-se em grupos de mensagens para trocarem alertas e coordenarem entradas e saídas noturnas. “Isto não pode tornar-se normal, queremos apenas viver em paz”, disse um jovem pai, empurrando o carrinho do filho e evitando olhar para as marcas no chão.
Vizinhos antigos garantem que a área, apesar de alguns problemas pontuais, é geralmente tranquila. No entanto, reconhecem que as noites de fim de semana têm sido mais barulhentas, com concentrações de grupos junto às entradas dos prédios.
O que vem a seguir
Nos próximos dias, a PJ deverá cruzar depoimentos, perícias de laboratório e registos de telefone para traçar o percurso da vítima e dos eventuais agressores. Espera-se o resultado preliminar da autópsia, que poderá clarificar a sequência das lesões e a hora aproximada da morte. As autoridades pedem calma e prudência, lembrando que a divulgação de rumores dificulta o trabalho de investigação.
Enquanto isso, o bairro tenta recuperar a sua rotina de segunda-feira, com crianças a caminho da escola, cafés a abrir as portas e vizinhos a evitarem o olhar para o jardim ainda marcado pela presença da polícia. A memória da noite anterior, porém, continuará a pairar sobre a Amadora, lembrando a fragilidade do nosso sentido de segurança e a urgência de respostas claras.
