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Greve dos Técnicos da DGRSP: Protesto contra Disparidade Salarial no Porto

Técnicos prisionais do Porto fazem greve por disparidades salariais

Técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) de Portugal saíram no dia 6 de outubro de 2026 em greve de solidariedade total no Estabelecimento Prisional do Porto, exigindo revisões urgentes das suas condições profissionais e financeiras. A ação, organizada pelo Sindicato dos Técnicos da DGRSP (SinDGRSP), seguiu-se à publicação de um decreto governamental, no dia 16 de setembro, que reviu as estruturas de carreiras, mas deixou exigências fundamentais por satisfazer.

O que o decreto de setembro não conseguiu entregar

Embora a portaria tenha introduzido atualizações na progressão na carreira do pessoal técnico, fixou o suplemento de risco em apenas 185€ por mês—um número que o sindicato diz estar muito aquém dos perigos e responsabilidades reais envolvidos no trabalho prisional. A situação é agravada por grandes discrepâncias: alguns técnicos recebem tão pouco quanto 120€enquanto outros em funções semelhantes obtêm 200€. Entretanto, os guardas prisionais que desempenham funções de alto risco comparáveis ​​são frequentemente pagos 450€criando o que o sindicato chama de “desequilíbrio sistêmico”.

As cinco demandas que impulsionam a greve

O SinDGRSP não apelou a bónus, mas sim a justiça estrutural. Suas principais demandas são:

• Criação de uma carreira técnica dedicada com critérios de promoção claros, distintos de funções administrativas

• Harmonização de todos os suplementos de risco em toda a DGRSP para garantir salários iguais para perigos iguais

• Um suplemento de risco de 450€alinhado com o que os guardas prisionais recebem

• Um subsídio de habitação para compensar os custos de aluguer, especialmente para o pessoal destacado longe das suas casas

• Abertura de todas as vagas para recrutamento externoacabando com as barreiras internas à promoção que restringem a mobilidade

De acordo com dados sindicais, muitos técnicos gastam mais de 40% do seu rendimento líquido em rendas em cidades como Porto e Lisboa – custos não compensados ​​pelo apoio estatal à habitação. “Não pedimos luxo”, disse um técnico. “Pedimos que sejamos pagos de forma justa por um trabalho que ninguém mais quer fazer.”

Resposta do governo: Nenhuma reabertura imediata das negociações

A Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, reconheceu a frustração dos trabalhadores, mas confirmou que o decreto de Setembro reflecte o texto final acordado. nenhum plano para reabrir as negociações até o ciclo orçamentário de 2027. O SinDGRSP, no entanto, marcou uma reunião com o Presidente da República para 8 de Outubro, na esperança de levar a questão para além do impasse a nível ministerial.

Um sistema falido, sob escrutínio nacional

Esta greve faz parte de um padrão mais amplo de agitação no sistema correcional de Portugal. Os sindicatos dos guardas em instalações como Custóias e Vale de Judeus protestaram repetidamente contra a falta de pessoal, a falta de equipamento de segurança e os atrasos crónicos nos ajustes salariais. Os técnicos – que gerem programas de reabilitação, acompanham reclusos, coordenam serviços de saúde mental e supervisionam a reintegração – estão agora a falar como a linha da frente invisível.

Portugal é incomum na Europa por ter discussões explícitas sobre suplementos de risco e subsídios de alojamento para funcionários prisionais. Em França, Espanha e Itália, funções semelhantes funcionam normalmente sob escalas salariais mais amplas do serviço público, sem categorias de compensação separadas para risco ou acomodação. O modelo português, que combina segurança com reintegração social, criou uma lacuna única: profissionais que gerem ambientes de alto risco, mas que são tratados como pessoal de apoio.

O SinDGRSP considera esta greve não um ponto final, mas o início de uma campanha mais longa. “Não estamos protestando por mais dinheiro”, afirmou o sindicato. “Exigimos o reconhecimento de que o nosso trabalho salva vidas – e isso deve refletir-se no nosso salário, no nosso título e no nosso futuro.”

185€ – Suplemento de risco atual para técnicos da DGRSP450€ – Quantidade demandada; o que os guardas prisionais recebem6 de outubro de 2026 – Data da ação de ataque total16 de setembro de 2026 – Data da portaria contestada publicada8 de outubro de 2026 – Reunião agendada com Presidente da República

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