A final que o futebol esperava há tanto tempo, sem ousar acreditar, já está confirmada: a Espanha enfrentará a Argentina no domingo, 19 de julho, às 19h GMT, no MetLife Stadium, em Nova York, para coroar o título supremo deste Mundial de 2026.
Um duelo no topo, digno de um roteiro que mesmo os roteiristas mais ousados não teriam ousado escrever, tanto quanto as circunstâncias da qualificação argentina beiram o milagre esportivo.
Liderada por 1-0 pela Inglaterra até aos minutos finais, a Albiceleste demonstrou um caráter simplesmente extraordinário para inverter o placar e carimbar o bilhete para uma nova final mundial. Nesta remontada, uma assinatura familiar: Lionel Messi, mais uma vez, autor de dois passes decisivos nos minutos decisivos.
Aos 39 anos, a Pulga continua a escrever a história de um esporte que moldou com o seu pé esquerdo mágico há duas décadas. Ao chegar a esta final, ele não se contenta em prolongar a sua lenda: está prestes, salvo lesão, a tornar-se o segundo jogador da história – depois do brasileiro Cafu, único homem a ter disputado três finais mundiais, em 1994, 1998 e 2002 – a juntar-se a este círculo restrito. Um feito que, por si só, bastaria para justificar todos os superlativos. E, acima de tudo, talvez um nono Bola de Ouro no horizonte. Prodigioso.
À frente, uma Espanha conquistadora, que expressa a natureza coletiva de uma seleção já dominante na Europa, impulsionada pela fulgência de Lamine Yamal, que não deixou a França ter qualquer chance na semifinal. A Roja sonha com o duplo Euro-Copa do Mundo como em 2008–2010, uma façanha que a colocaria definitivamente no topo do futebol continental e mundial. Dois objetivos, duas gerações, um único troféu.
Porque além do desafio esportivo, esta final ficará sobretudo marcada por um confronto geracional inédito: nunca Lionel Messi e Lamine Yamal se enfrentaram em jogo oficial. Vinte anos separam o imperador do jogo do seu herdeiro anunciado, aquele que cresce à sombra dele, ao mesmo tempo procurando eclipsá-lo. A narrativa é vertiginosa, quase perfeita demais para ser real – um buscando fechar o ciclo de uma carreira já lendária, o outro buscando continuar a sua trajetória rumo ao topo mundial, após ter conquistado o Euro aos 17 anos.
A história entre as duas nações acrescenta ainda mais sabor a este encontro. Espanha e Argentina não se enfrentaram em jogo oficial desde 1966, quando a Albiceleste venceu por 2-1. Desde então, silêncio nas competições oficiais, como se o destino guardasse essa rivalidade para a ocasião mais solene que existe. Em quatorze confrontos entre todas as competições, o equilíbrio é total: seis vitórias para cada lado, dois empates. Nada, absolutamente nada, permite prever o vencedor antes do apito inicial de domingo no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Antes disso, no sábado, em Miami, fica reservada a disputa pelo terceiro lugar. Os Bleus, atordoados, já eliminados por essa mesma Espanha, enfrentarão a Inglaterra em busca de uma medalha de consolação com gosto amargo. Enquanto isso, Nova York se prepara para viver um dos jogos mais aguardados do futebol contemporâneo. De um lado, o último capítulo de um gênio que resiste obstinadamente a envelhecer. Do outro, a explosão de um fenômeno já prometido às maiores alturas. Entre eles: uma Copa do Mundo e, quem sabe, ainda mais. Porque, desta vez, trata-se mesmo de uma Finalíssima à altura da grandeza que a Europa e a América do Sul vão protagonizar.
Por Cheikh Gora DIOP
