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Drama no Porto: após levar um doente ao hospital, viatura dos Bombeiros trava bruscamente ao encontrar homem esfaqueado estendido na estrada

Intervenção imediata na via pública

Eram cerca das 21h20 desta quarta‑feira, 10 de setembro, quando uma equipa de bombeiros que acabara de concluir um transporte sanitário travou brusca e instintivamente numa rua residencial de Braga. À frente da viatura, jazia um homem estendido no asfalto, ainda consciente, com sinais evidentes de agressão. Em segundos, os operacionais avaliaram a segurança do local, sinalizaram a via e avançaram para prestar os primeiros socorros.

A vítima apresentava ferimentos no pescoço e nas costas, compatíveis com golpes de arma branca, do tipo faca. Entre o controlo das hemorragias e a avaliação do nível de consciência, a equipa ativou de imediato a VMER do INEM, enquanto pedia o apoio da PSP para garantir um perímetro de segurança.

Socorro médico e transporte hospitalar

À chegada, a equipa médica da VMER assumiu o comando clínico, reforçando manobras de reanimação e analgesia. O homem, com cerca de trinta e poucos anos, apresentava um prognóstico reservado, mas manteve‑se estável o suficiente para transporte diferido e monitorizado.

A transferência foi efetuada para o Hospital de Braga, com vigilância contínua de sinais vitais e acesso venoso de emergência. Ao final da noite, fonte hospitalar indicava que o estado clínico permanecia grave, mas com resposta “favorável” aos cuidados intensivos. Nas primeiras horas da madrugada, os médicos reportaram “uma melhoria discreta, mas sustentada”, após estabilização hemodinâmica.

Linha de investigação e primeiros indícios

A PSP isolou a zona e chamou a Polícia Judiciária (PJ), que iniciou de imediato perícias de criminalística. Foram recolhidos vestígios de sangue, imagens de videovigilância e depoimentos de moradores, alguns dos quais terão assistido a partes da agressão a partir das janelas.

Segundo relatos ainda difusos, vítima e alegado agressor residiriam em ruas vizinhas, o que pode apontar para um conflito de proximidade. Ao amanhecer, um suspeito foi intercetado na via pública e conduzido a detenção para interrogatório, enquanto equipas da PJ prosseguiam buscas por arma e eventuais cúmplices. As motivações permanecem por apurar, e a investigação explora hipóteses que vão de desavenças pessoais a uma rixa espontânea.

Coordenação entre forças e impacto na comunidade

A resposta articulada entre bombeiros, INEM, PSP e PJ foi apontada como “exemplar” por fontes de proteção civil. A rapidez no atalho à hemorragia e na estabilização do doente foi determinante para “ganhar minutos” em cenário de possível choque hipovolémico.

Na vizinhança, o clima é de apreensão, mas também de reconhecimento pelo trabalho dos operacionais. “Foi tudo muito rápido e silencioso; só depois percebemos a gravidade do quadro. É reconfortante ver os bombeiros e o INEM atuarem com tamanha calma sob pressão”, disse uma moradora, ainda abalada com a cena na sua rua.

Recomendações para quem testemunha situações de violência

Perante episódios de violência na via pública, as autoridades deixam conselhos claros à população:

  • Ligar de imediato para o 112, descrevendo local, número de vítimas e eventuais riscos no terreno.
  • Manter distância segura do agressor, evitando intervenções diretas que possam agravar o perigo.
  • Não mover a vítima, salvo risco iminente, e aplicar compressão sobre hemorragias externas com material limpo, se for seguro fazê‑lo.
  • Preservar o local do crime, não tocando em objetos ou vestígios que possam ser cruciais para a investigação.
  • Aguardar as autoridades e seguir as orientações das equipas de emergência.

Prevenção e proximidade

Especialistas sublinham que a combinação de formação em primeiros socorros, presença de patrulhamento visível e redes de vizinhança atentas tem impacto direto na redução de dano. A capacitação de cidadãos para medidas básicas de suporte imediato pode, em minutos, fazer a diferença entre vida e morte.

Ao mesmo tempo, a aposta em mediação comunitária e em resposta rápida a sinais de conflito doméstico ou de bairro contribui para desescalar tensões antes de evoluírem para violência física. Em Braga, como noutras cidades portuguesas, a coordenação entre serviços é vista como pilar de resiliência urbana.

Próximos passos

O suspeito será presente a primeiro interrogatório judicial, onde poderá ser aplicada medida de coação adequada ao risco de fuga, de reincidência ou de perturbação do inquérito. A PJ aguarda resultados de perícias laboratoriais, cruzamento de imagens e confirmação de trajetos por geolocalização de telemóveis.

Quanto à vítima, permanece em observação apertada, com equipa multidisciplinar de cirurgia, medicina de emergência e psicologia de crise. Se a recuperação se mantiver estável, será possível esclarecer com maior detalhe a cronologia dos acontecimentos que culminaram nesta agressão por arma branca.

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