Os autocarros e elétricos da Carris, em Lisboa, registam perturbações desde a passada quarta‑feira, 10 de setembro de 2025, devido a uma greve desencadeada após o despedimento com justa causa de um motorista. Segundo o sindicato, a decisão da empresa é «desproporcionada» face ao incidente que esteve na origem do processo. A direção da Carris defende, porém, que agiu dentro das suas prerrogativas disciplinares e com base nos factos apurados.
Três crianças entram no autocarro sem o pai: motorista afastado
O caso ocorreu numa paragem junto ao Cais do Sodré, quando um pai comprava títulos de transporte e os seus três filhos entraram no autocarro antes dele. O veículo arrancou sem o adulto, que ficou no passeio a tentar sinalizar o motorista, segundo o relato do próprio. O passageiro terá enviado dois emails ao serviço de atendimento da Carris, acusando o condutor de «sequestrar» as crianças e exigindo uma explicação. O motorista foi chamado a uma reunião disciplinar e terá dito que não viu o pai no exterior e que cumpriu o horário. Após análise em conselho de disciplina, a empresa decidiu o despedimento por falta grave, alegando incumprimento de procedimentos de segurança.
Apenas um sindicato avançou para a greve
O STRUP/FECTRANS, que representa trabalhadores dos transportes, convocou a paralisação em protesto contra o que considera um abuso. Outros sindicatos com presença na empresa não aderiram ao protesto, preferindo aguardar os resultados de um eventual recurso. O movimento começou a 10 de setembro e deverá prolongar‑se até quinta‑feira, 18 de setembro, com serviços mínimos definidos. Para o sindicato, o caso levanta questões de formação e de procedimentos de embarque, não devendo culminar numa sanção máxima.
Impacto no serviço e reação dos passageiros
Ao longo do dia, diversas linhas registaram tempos de espera mais longos e autocarros mais cheios, sobretudo nos eixos centrais. Os elétricos da linha 28E circularam com intervalos superiores ao normal, e alguns reforços foram suprimidos. A Carris recomenda que os clientes consultem a aplicação oficial para horários em tempo real e planifiquem alternativas. Entre os passageiros, há quem compreenda a contestação, mas também quem critique o impacto nas rotinas diárias. Para turistas, a incerteza foi acrescida, levando muitos a optar por táxis ou metro.
A versão da empresa e os argumentos sindicais
Em comunicado, a Carris afirma que a decisão foi tomada após «avaliação exaustiva dos registos» e que «a segurança dos passageiros menores é prioritária». A empresa lembra que o condutor deve garantir que o embarcque termina e que não há situações pendentes antes de fechar as portas. Do lado sindical, a posição é oposta: «Este motorista tem registo imaculado, e a penalização ignora falhas de sinalização na paragem e a pressão dos tempos de viagem», diz João Marques, delegado do STRUP. «Não se pode confundir erro humano num contexto complexo com falta grave e destruir uma carreira por um único incidente.»
Questões legais e próximos passos
O motorista pondera recorrer ao Tribunal do Trabalho, contestando a proporcionalidade da sanção e pedindo reintegração. Especialistas em direito laboral lembram que o despedimento por justa causa exige prova de culpa grave e quebra irremediável de confiança. Em casos envolvendo menores, os tribunais analisam com rigor os procedimentos e a formação dada pela empresa. O desfecho poderá influenciar futuras orientações internas e fixar precedente em situações de embarque fracionado.
Recomendações para quem se desloca em Lisboa
Para reduzir atrasos e minimizar o efeito das perturbações, a Carris e as autoridades locais sugerem várias medidas práticas:
- Verificar os horários na app oficial e considerar rotas alternativas.
- Antecipar a saída em 10 a 15 minutos nas horas de ponta.
- Usar a rede do metro quando possível para percursos centrais.
- Validar o título com antecedência e manter atenção ao embarque.
- Consultar as redes sociais da Carris para atualizações em tempo real.
O debate que fica
O episódio expôs fragilidades nos procedimentos de embarque com famílias e na comunicação em paragens muito concorridas. Especialistas defendem mais formação para condutores e melhoria da sinalização, incluindo avisos claros sobre embarque conjunto de menores e adultos. Há quem proponha testes de portas inteligentes com sensores de movimento, para evitar partidas com passageiros indecisos. Para a cidade, a prioridade é equilibrar segurança e fluidez do serviço, protegendo quem trabalha e quem viaja. A decisão final sobre o despedimento poderá não só resolver um caso, como redefinir práticas de operações em todo o sistema.

Isto está muito errado,ficam apressando o motorista ,e como ele ia saber que o pai ficou para traz se as filas são enormes por falta de autocarros agora só falta está toda vez entrar uma criança o motorista ir ver se entrou o famíliar tem de ver as idades do menores também sequestrou os filhos ele que tem de ensinar aos filhos não entrar até o pai estar junto agora o coitado do motorista já trabalha com pressão e tem de ficar olhando as crianças das pessoas agora .só que me faltava.