Existem destinos que se escrevem nas grandes ocasiões. O de Assane Sarr desenhou-se nos gramados da TotalEnergies CAN U17 2026 disputada, ao longo de defesas excepcionais e de pênaltis detidos com uma tranquilidade surpreendente para a sua idade. O goleiro e capitão dos Leõezinhos, este rapaz que atua no Ndangane FC de Kaolack, foi designado o melhor goleiro do torneio. Uma recompensa lógica para um torneio absolutamente magistral.
A competição, Assane Sarr a enfrentá-la desde a fase de grupos com a autoridade de um veterano. Diante do Gana, ele deteve um pênalti e conquistou o título de homem do jogo. O tom está dado. Jogo após jogo, o último reduto senegalês impõe-se pela regularidade, pela liderança na área e pela capacidade de pesar nos momentos-chave.
« O Senegal está sempre muito motivado em competições internacionais. Não somos Leões por acaso », dizia ele. Longe de ser vaidade, essa declaração era mais a de um homem determinado.
Uma noite louca em Rabat
Se houvesse apenas um ato que resumisse a CAN U17 dele, seria a meia-final diante do Marrocos. Empate após os 90 minutos, depois na prorrogação, e até uma cobrança parada no tempo adicional. Vem então a loteria das cobranças. Assane Sarr transforma-se em muralha: quatro defesas em dez tentativas marroquinas, incluindo a última, a da qualificação. Os Leõezinhos vão para a final. Ele entra na lenda deste torneio. Como nos quartos de final contra o Mali, ele permite à sua equipe vencer nas cobranças.
Na final, Assane Sarr voltou a ser decisivo, ao deter o último pênalti tanzaniano para permitir ao Senegal conquistar a sua segunda CAN U17 após 2023. Melhor goleiro do torneio.
A revanche do destino
Por trás da serenidade aparente esconde-se uma ferida antiga. Em 2025, os Leõezinhos tinham sido eliminados nas quartas de final pela Costa do Marfim nas cobranças de pênalti, sem sofrer um único gol de jogo; uma injustiça cruel. Assane Sarr era então reserva. Oito sobreviventes dessa geração vestiram a edição de 2026. A masterclass diante do Marrocos soa, para cada um deles, como uma magnífica revanche contra o destino.
Um capitão, não um herói solitário
O que impressiona em Assane Sarr não é só o seu talento, mas também a sua humildade. Ele não se apresenta como salvador. Fala de comunicação com a defesa, de confiança mútua, da experiência adquirida com paciência nas seleções de jovens. Os seus companheiros confiam nele, afirma simplesmente. Esse elo alimenta a solidez de um coletivo que sofreu o mínimo ao longo de todo o torneio. « A comunicação é essencial entre a defesa e a última linha de defesa que eu sou. Essa vivência e esse desejo de vencer alimentam a nossa solidariedade. »
Formado no futebol kaolackense, premiado com o troféu de melhor goleiro da CAN U17 e coroado com um título continental, Assane Sarr entra em uma nova dimensão. O Senegal talvez tenha aqui um dos grandes goleiros de sua próxima geração. O leão tem presas e luvas para os guardar.
Oumar Boubacar NDONGO
