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Braga em choque: explosão devastadora em fábrica de fogo-de-artifício destrói casas, provoca incêndios e fere cerca de 20 moradores

Na manhã de quinta-feira, uma explosão de grande violência numa fábrica de pirotecnia na periferia de Braga provocou um incêndio que se alastrou a habitações vizinhas, deixando pelo menos 23 feridos e dezenas de famílias em choque. Segundo as autoridades, várias casas foram total ou parcialmente destruídas, e a onda de choque sentiu-se a quilómetros. As equipas de socorro montaram um dispositivo de emergência para evacuar moradores e estabilizar a situação.

Moradores em pânico

Os estrondos sucessivos de rojões, petardos e pólvora criaram um cenário de pânico na vizinhança, levando famílias inteiras a fugir de casa em poucos segundos. Uma nuvem espessa de fumo branco subiu do complexo de pirotecnia, deixando o ar irrespirável nas ruas da freguesia. “O chão tremeu, as janelas rebentaram e só pensámos em sair”, contou uma moradora, ainda visivelmente abalada.

Resposta imediata das autoridades

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil confirmou que o incêndio foi entretanto circunscrito, após uma operação com dezenas de bombeiros e várias viaturas de combate a incêndios. As forças de segurança isolaram a área, cortando o fornecimento de gás e de eletricidade para evitar novas deflagrações. As vítimas, com ferimentos de estilhaços, queimaduras e sinais de inalação de fumo, foram encaminhadas para o Hospital de Braga e para unidades da região do Minho.

O que se sabe até agora

  • Pelo menos 23 feridos, incluindo várias crianças, sem registo de vítimas mortais.
  • Várias habitações destruídas e dezenas com danos estruturais.
  • Fornecimentos de gás e eletricidade cortados numa vasta área de segurança.
  • Investigação entregue à Polícia Judiciária, com peritos em explosivos no terreno.
  • Município prepara realojamento temporário e avaliação de prejuízos.

Danos visíveis a cada esquina

Do edifício principal, de dois pisos, resta apenas o esqueleto carbonizado, com paredes estilhaçadas e ferro retorcido à vista de todos os curiosos. Chapas de zinco, caibros e blocos de tijolo voaram para quintais e telhados das casas mais próximas. Caixas brancas de “fosforitos”, um artigo pirotécnico de baixa potência, ficaram presas em árvores e espalhadas pela rua.

Testemunhos de quem viveu o susto

“Vi línguas de fogo a sair do armazém e um rolo de fumo a cobrir a nossa rua”, relatou Cátia Domingues, que visitava a mãe quando a explosão ocorreu. “Se fosse de noite, com todos a dormir, o desfecho podia ter sido bem mais trágico”, acrescentou, agradecendo a pronta resposta dos bombeiros e dos vizinhos.

Realojamento e apoio às famílias

O município ativou um plano de apoio social para o realojamento imediato de quem ficou sem casa, mobilizando pavilhões e hotéis da região. Equipas de engenharia avaliam a estabilidade de fachadas e coberturas, enquanto assistentes sociais acompanham famílias com crianças e idosos. Linhas de apoio psicológico foram disponibilizadas para lidar com o stress pós-traumático e a perda de bens.

Licenciamento e fiscalização em foco

A explosão reabre o debate sobre condições de segurança na indústria pirotécnica, muito enraizada em várias zonas do Norte. A Inspeção-Geral das Atividades em Economia e a Autoridade para as Condições do Trabalho vão auditar licenças, planos de contingência e armazenamento de matérias perigosas. Segundo fonte oficial, a prioridade é apurar se houve falhas de procedimento ou fatores externos que originaram a detonação.

Circulação condicionada e regresso à normalidade

Várias artérias permaneceram cortadas por precaução, com a circulação a ser restabelecida de forma faseada ao longo da tarde. Técnicos especializados monitorizam pontos de calor e eventuais bolsas de gás, para eliminar qualquer risco de reacendimento. A limpeza das ruas e a remoção de entulho deverão prolongar-se por mais algumas horas.

Uma comunidade unida

Entre sirenes e o cheiro a fumo, multiplicaram-se gestos de solidariedade: vizinhos abriram portas, ofereceram roupa e partilharam refeições com quem perdeu tudo. “Há muito medo, mas também uma enorme vontade de recomeçar”, descreveu Inês Pereira, moradora de longa data. A cidade, abalada pelo estrondo, promete transformar a tragédia em lições concretas para reforçar a segurança e proteger a sua gente.

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