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Atrasos nos trens em Portugal: alternativas e compensação de passagens

O Operador ferroviário português CP tem mantido grandes troços da rede nacional fechados ou em velocidade reduzida, situação que irá esticar bem na primavera e forçar milhares de passageiros a repensar as suas rotas diárias.

Por que isso é importante

Menos trens nos dois corredores mais movimentados (Linha do Norte e Linha de Cascais) significam tempos de viagem mais longos entre Lisboa, Porto e os subúrbios costeiros.

Suspensões em linhas interiores – especialmente o vale do Douro – estão a reduzir as receitas do turismo no início da época do Carnaval.

Fundos governamentais para reparação atingem 2,5 mil milhões de eurosmas alguns projetos, como a Linha do Oeste, já estão sinalizados para encerramentos de vários meses.

Aplicam-se regras de compensação: os passageiros com atraso superior a 60 minutos podem reclamar até 50% do preço do bilhete ao abrigo do Regulamento UE 1371/2007.

Onde a rede está quebrada

As tempestades Cristina, Leonardo e Marta atravessou o país no final de janeiro, derrubando árvores na catenária, inundando aterros e destruindo o lastro. Os danos são irregulares, mas agudos em cinco corredores:

Linha do Norte – Alfa Pendular e Intercidades de longo curso continuam encerrados. Os trens agora circulam apenas entre Soure e Coimbra-Bcom shuttles regionais entre Entroncamento-Soure e Tomar-Lisboa. Através dos serviços Lisboa-Porto não se prevê o regresso antes de Junho.

Linha de Cascais – Respingos do mar e um colapso passeio ribeirinho operação forçada de via única Algés-Caxias a 30 km/h. Os horários são reduzidos para intervalos de 15 minutos fora do horário de pico; a via dupla completa poderá ser restaurada após a Páscoa.

Linha do Douro – Sem trens Régua-Pocinho porque a modernização em curso colidiu com danos provocados por tempestades. Os autocarros rodoviários ligam-se, mas as pensões vinícolas registam cancelamentos superiores a 40%.

Linha do Oeste – Uma brecha próxima Valado dos Frades destruiu o aterro; o Ministério da Infraestrutura diz nove meses para reconstruir.

Linha do Sul e Beira Alta – Pontos encerrados entre Monte Novo–Alcácer do Sal e Coimbra–Guarda; os serviços funcionam com locomotivas espanholas emprestadas e de menor potência.

Equipe de reparo e cronograma

Infraestruturas de Portugal (IP) implantou 1 000 técnicos e 550 viaturas. É dada prioridade ao corredor Norte, de elevado rendimento, onde devem ser substituídos três mastros de catenária por quilómetro. Um calendário provisório divulgado ontem à noite indica:

16 de fevereiro a 31 de março – Estabilização permanente da via Soure–Coimbra; Injeção do paredão de Cascais.

abril – Obras de tunelamento no Douro Túnel Juncal; instalação de nova drenagem na Linha do Sul.

Em junho – Reabertura total Lisboa-Porto se os testes atingirem velocidades de 220 km/h.

A IP confirmou que o complemento de 400 milhões de euros do fundo nacional de calamidades “já está na conta do tesouro” e os empreiteiros estão a assinar contratos de aquisição acelerada.

Rotas alternativas e regras de reembolso

Com o Autoestrada A1 também vendo encerramentos esporádicos, a CP organizou as seguintes soluções provisórias:

Ônibus rodoviários entre Coimbra-B & Pombal e Régua & Pocinho (gratuito com bilhete de comboio).

Transporte aéreo TAP reforçado para 9 voos diários Lisboa–Portointroduzindo uma tarifa promocional de 39 euros para portadores de bilhetes de trem.

Descontos em metrô e ferry: Portadores do passe de temporada de Cascais podem viajar Fertagus do outro lado do Tejo sem custo adicional até 31 de março.

Para obter alívio monetário, guarde o bilhete original e solicite a compensação online no prazo de 3 meses. CP promete respostas em 10 dias úteis, embora regulador AMT pode intervir se os créditos não forem emitidos.

O que isso significa para os residentes

Viajantes: Faça um orçamento extra 15–40 minutos nos serviços de Cascais; Os viajantes Lisboa-Porto devem considerar autocarros noturnos ou transporte aéreo com desconto.

Compradores de casas nos subúrbios ocidentais podem enfrentar quedas de preços a curto prazo, uma vez que a fiabilidade ferroviária influencia a procura de propriedades.

Operadores turísticos ao longo do Douro necessitam de marketing de contingência; muitas empresas de cruzeiros fluviais estão a adicionar transferências gratuitas no Porto para reter reservas.

Pequenas empresas nos municípios atingidos pela tempestade se qualificam para empréstimos sem juros até 150 000 euros sob o decreto de calamidade; inscrições abrem segunda-feira às balcaounico.gov.pt.

Empregadores: O Ministério do Trabalho recomenda horários flexíveis para que os funcionários possam pegar os trens mais cedo ou mais tarde durante o horário móvel.

Dinheiro por trás da solução

O pacote mais amplo de 2,5 mil milhões de euros para catástrofes está dividido da seguinte forma:

400 milhões de euros direto para IP para correções ferroviárias e rodoviárias.

1 bilhão de euros em linhas de crédito a juros baixos para agricultores e PME.

650 milhões de euros destinado à reparação de habitações municipais — crucial após 15 mortes relacionadas com tempestades e centenas de evacuações nas regiões Centro e Alentejo.

450 milhões de euros reservado como contingência se futuros eventos climáticos extremos ocorrerem antes do final do ano.

Economistas em Pesquisa BPI calcular as interrupções ferroviárias por si só poderiam reduzir 0,1 pp do PIB de 2026 se os serviços não forem normalizados até a temporada turística de verão.

Um alto funcionário resumiu ontem: “Estamos a reconstruir mais rapidamente do que depois das cheias de 2013, mas a volatilidade climática significa que isto pode tornar-se o novo normal.” Para os passageiros, isso se traduz em uma conclusão clara: verifique sempre o aplicativo CP antes de ir para a plataforma.

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