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As lutas de Amorim em Milão: o que deu errado

O Milan de Amorim enfrenta dificuldades crescentes à medida que as lesões aumentam e os críticos questionam seu sistema

Ruben Amorim pediu tempo. O antigo treinador do Sporting CP, agora ao comando do AC Milan, da Itália, admitiu numa entrevista televisiva na sexta-feira que a sua equipa “ainda está longe do seu potencial” e “precisa de continuidade” – um apelo que surgiu no meio de uma semana preocupante para o treinador português.

A derrota em casa por 2-0 para o Benfica na Liga Europa, a 16 de Setembro, continua a ressoar nos círculos do futebol italiano, e um amigável à porta fechada na passada sexta-feira contra o Padova, da segunda divisão, terminou com um empate 1-1. O AC Milan está atualmente em quinto lugar na Série A, com 11 pontos, dois pontos atrás dos líderes Roma, Inter de Milão e Lazio.

‘Conforto’ em Alvalade desaparecido em Milão

Ricardo Esgaio, que jogou sob o comando de Amorim no Sporting CP e no SC Braga, acredita que a transição de Lisboa para o estrangeiro negou ao treinador elementos que outrora faziam fluir o seu trabalho. ‘No Sporting tinha uma equipa que lhe dava muito conforto’ disse o defesa de 33 anos à agência noticiosa portuguesa Lusa. ‘Quando ele foi para o exterior, talvez não tenha tido o mesmo conforto e teve que decidir tudo.’

Esgaio, agora no Gil Vicente, reconheceu que a marca de Amorim continua visível: ‘Quando olhamos para uma das suas equipas, reconhecemos a identidade de Ruben Amorim.’ No entanto, o internacional português observou que mesmo para um treinador que gosta de controlo, as exigências de gerir todos os aspectos ‘chegam a um ponto em que se complicam’.

Amorim chegou ao Milan em junho de 2026, substituindo Massimiliano Allegri depois que o clube não conseguiu se classificar para a Liga dos Campeões. Sua nomeação ocorreu após uma passagem pelo Manchester United que fontes de pesquisa descrevem como “turbulenta e malsucedida”, terminando em janeiro do mesmo ano.

Lesão de Saelemaekers agrava problemas

O extremo belga Alexis Saelemaekers emergiu como a mais recente preocupação física da equipa de Amorim. Exames médicos revelaram o tornozelo direito do jogador perdeu estabilidade no local de uma cirurgia anterior a partir de 2024, na sequência de um incidente num treino.

De acordo com La Gazzetta dello Sport, Saelemaekers provavelmente exigirá outra operação e poderá não retornar até 2027. O jogador de 26 anos foi titular em apenas duas das cinco partidas do Milan no campeonato sob o comando de Amorim, uma redução em relação às 33 partidas que fez sob o comando de Allegri na temporada anterior.

A lesão deixa Amorim com opções limitadas nas laterais enquanto tenta impor sua filosofia tática.

Boban questiona defesa de três homens

Zvonimir Boban, ex-internacional croata que passou nove anos no Milan e mais tarde atuou como diretor esportivo do clube, expressou o que os observadores na Itália perguntam discretamente: se o sistema de Amorim é adequado para a equipe.

Falando à rádio italiana, Boban – que conquistou o bronze na Copa do Mundo de 1998 com a Croácia – descreveu a formação 3-5-2 como “um pouco ilógica”, observando que ela efetivamente se torna uma defesa de cinco homens onde os jogadores laterais ‘massacram uns aos outros’ com as exigências físicas.

“Mesmo que todos os jogos pareçam trazer anos de discussão, precisamos dar-lhe tempo”, disse Boban. ‘Ele tem que convencer todos nós com resultados.’

O jogador de 57 anos deixa claro que o sétimo lugar não é o padrão. ‘Eu disse que o AC Milan deveria tentar vencer.’

Resposta de Amorim: é preciso paciência

O treinador português aproveitou a entrevista à Sky Sport Italia para se dirigir diretamente aos críticos. ‘Precisamos de tempo e continuidade’ disse Amorim. ‘Muitos jogos ainda estão por vir.’

Ele rejeitou o rótulo de “Milão de Amorim”, insistindo que um clube com 19 títulos da Série A transcende qualquer técnico individual. ‘O AC Milan é o AC Milan, com uma história e uma identidade que vai além do nome de um treinador.’

Amorim também se dirigiu a Luka Modric, o meio-campista de 41 anos que chegou neste verão. ‘Ele treina como um jovem jogador, com uma vontade e entusiasmo que agrada a todos.’

Relativamente a Gonçalo Ramos, internacional português, Amorim elogiou a sua evolução e as recentes atuações pela seleção nacional, nomeadamente o golo frente à Dinamarca. “Ele está crescendo e sua presença traz intensidade”, disse Amorim.

Calendário se intensifica após pausa internacional

As próximas semanas oferecem pouco descanso. O Milan enfrenta o Sassuolo no retorno à Série A, depois viaja para a Áustria para enfrentar o Salzburgo na Liga Europa. Segue-se um confronto contra a Atalanta, antes de uma viagem à Inglaterra para enfrentar o Bournemouth nas competições europeias.

O mês termina com três jogos do campeonato em oito dias: contra a Udinese, no dia 25 de outubro, depois contra o Bologna e o Inter de Milão – sendo este último o Derby da Madonnina que fecha outubro.

Sete partidas em outubro testarão o elenco. “Isso é o que mais me preocupa”, admitiu Amorim.

Identidade intacta, mas resultados aguardados

Esgaio, que venceu a Primeira Liga pelo Sporting sob o comando de Amorim, acredita que a filosofia do treinador o acompanha. ‘Você reconheceria aquele time como seu mesmo sem vê-lo no banco.’

No entanto, os resultados exigem paciência. Após cinco rodadas da Série A, o Milan soma três vitórias e dois empates – um início respeitável diminuído pela derrota do Benfica e pelo amistoso de Pádua. Amorim sabe que o veredicto leva tempo, mas numa cidade que exige sucesso imediato, a sua afirmação de que “estamos longe de atingir o nosso potencial” será avaliada pelo que acontecer a seguir.

Para os adeptos de Portugal, a história oferece um padrão familiar: um treinador que transformou o Sporting – pondo fim a uma seca de títulos de 18 anos – enfrenta agora a dura realidade da gestão no estrangeiro, onde o apoio da equipa e a paciência institucional podem ser mais escassos.

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