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Alerta máximo em Portugal: deputado, jornalista e humorista — três ‘celebridades’ — alvos de perigosas encomendas armadilhadas

O alerta soou ao início da tarde de sábado quando trabalhadores dos CTT de Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real, detetaram três encomendas suspeitas destinadas a figuras públicas. As autoridades descrevem dispositivos de “fraca potência”, concebidos para provocar alarme e eventual dano limitado, mas que não causaram feridos. As encomendas tinham por destinatários um deputado, uma jornalista e uma humorista, todos residentes na região Norte ou com atividade regular no Porto. Uma primeira explosão ocorreu na carrinha do carteiro, nas imediações de Peso da Régua, sem consequências físicas. As restantes foram interceptadas no balcão dos CTT, onde equipas especializadas asseguraram a sua neutralização.

Dispositivos de fraca potência

Segundo fonte policial, cada encomenda continha um pequeno detonador e uma carga de baixo potencial, associada a um circuito rudimentar. Os peritos classificam o risco como “sem perigo maior”, sem deixar de sublinhar a clara intenção de intimidação. A construção revela materiais de fácil acesso, mas montagem suficientemente cuidadosa para garantir ignição. A ativação terá sido pensada para ocorrer ao abrir o embalamento, ou com a movimentação típica do circuito de distribuição. Apesar do baixo rendimento, o uso de explosivos constitui crime de elevada gravidade e desencadeia protocolos de resposta especializados.

Primeira explosão sem feridos

O primeiro dispositivo deflagrou ao início da tarde, no interior da carrinha de entrega dos CTT, já fora do centro urbano da Régua. O carteiro ficou em estado de choque, mas recebeu alta após avaliação médica no local. As outras duas encomendas, entretanto sinalizadas por padrões de remessa idênticos, foram isoladas no posto de Santa Marta de Penaguião. Técnicos do CIEXSS, o Centro de Inativação de Engenhos Explosivos e Segurança em Subsolo da PSP, deslocaram-se de urgência e procederam à desativação controlada. Todas as peças e invólucros foram preservados para exame laboratorial e análise de vestígios forenses.

  • Três encomendas com detonador e carga de baixa potência
  • Destinatários: um deputado, uma jornalista e uma humorista
  • Uma deflagração sem feridos em carrinha dos CTT
  • Outras duas encomendas neutralizadas pelos peritos do CIEXSS
  • Todas expedidas a partir de uma estação dos CTT em Mesão Frio
  • Inquérito aberto e entregue à Polícia Judiciária

Investigação em curso

O Ministério Público de Vila Real abriu inquérito e delegou a investigação na Polícia Judiciária, com apoio da Unidade Nacional de Contraterrorismo. Em paralelo, a GNR assegurou o perímetro e a recolha de testemunhos iniciais. Até ao final da tarde, não havia detenções nem constituídos arguidos. O DCIAP, que coordena os processos de maior complexidade, não tinha ainda assumido a titularidade do caso. “Estamos a explorar todas as pistas, incluindo a cadeia de expedição e a eventual ligação entre os destinatários”, afirmou um responsável da PJ, que pediu para não ser identificado.

Motivações ainda por apurar

Os investigadores não excluem uma motivação de intimidação, dirigida a figuras com visibilidade mediática. O padrão das encomendas e a seleção das vítimas sugerem um ato de pressão simbólica, mais do que uma tentativa de causar mortos. A hipótese de autor isolado, com conhecimentos básicos de pirotecnia, está em cima da mesa, sem afastar cenários alternativos. A análise de impressões, resíduos de pólvora e registos de videovigilância dos CTT será determinante para avançar. O remetente terá utilizado dados de cobertura, com etiquetas impressas e pagamento em numerário para evitar rasto.

Reação das autoridades e dos CTT

Em comunicado, os CTT garantem cooperação total com as autoridades e a revisão de procedimentos internos de triagem. A empresa reforçou formações sobre identificação de pacotes suspeitos, bem como o uso de scanners e protocolos de isolamento. A GNR apelou à calma e à comunicação imediata de qualquer encomenda com odores estranhos, cabos visíveis ou excesso de fitas adesivas. “A probabilidade de ocorrência é baixa, mas o risco nunca é zero”, sublinhou fonte do comando distrital. As equipas de proximidade vão intensificar ações de sensibilização junto de estabelecimentos e serviços públicos.

Conselhos de segurança à população

As autoridades recomendam não abrir encomendas inesperadas e verificar o remetente antes de qualquer manuseio. Em caso de dúvida, deve-se isolar o objeto, afastar-se alguns metros e ligar de imediato para o 112. É essencial evitar manobras improvisadas ou tentativas de remoção, que aumentam o risco de lesões. Para figuras públicas, aconselham-se procedimentos de receção centralizada e registos detalhados de correspondência. A PJ relembra que informações precipitadas nas redes sociais podem prejudicar a investigação e favorecer a repetição de comportamentos imitativos.

“Não estamos perante um dispositivo de guerra, mas sim diante de um ato que visa criar medo e impacto social; a resposta tem de ser técnica, célere e sem alarmismo”, resumiu um investigador da Judiciária. Enquanto as perícias avançam, o foco mantém-se na identificação do remetente, na reconstrução do percurso postal e na proteção dos profissionais dos CTT e do público em geral.

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