A vila artesanal de Tambacounda constitui o receptáculo da criatividade local na região leste do Senegal. Na atmosfera das cabanas e à sombra das árvores que povoam o local, em estado de degradação avançada, as peças de arte se revelam aos visitantes, testemunhando o talento impressionante dos artesãos. Entre saber-faire notável e condições difíceis, eles se dedicam a transformar a sua arte em uma alavanca de desenvolvimento econômico para a região.
Além da praça do mercado central, situada a poucos passos do destacamento da polícia na rodovia nacional, a vila artesanal é o segundo polo fervilhante onde se reúnem comerciantes e, sobretudo, artesãos da região de Tambacounda. Localizada entre a prefeitura e de frente para o acampamento dos Bombeiros, essa vitrine do saber-fazer local se revela aos visitantes sob as marcas de um lugar mal acabado, carregando os sinais do tempo e da falta de manutenção. Atrás do portão gasto, onde ainda se lê, quase apagado, “Centro artesanal de Tamba”, as casas circulares com telhados de palha resistem com dificuldade à deterioração. Diversas cabanas apresentam tetos remendados com lonas azuis para impedir infiltrações, sinal de precariedade que já se evidencia até na arquitetura do espaço. As paredes amareladas e fissuradas, a cerca enfraquecida e o pátio empoeirado dão ao lugar um aspecto de espaço abandonado, apesar da atividade que ali persiste.
Estado de degradação avançada
De fato, a vila artesanal permanece um espaço de criação e de sobrevivência econômica para muitos artesãos de Tambacounda ou vindos de outras regiões do Senegal. Em formato retangular, com pouco mais de um hectare de área, a vila artesanal é composta por 18 cabanas. Segundo Abdoulaye Sarr, presidente da Câmara de Ofícios de Tambacounda, ali convivem diversos métiers. «O village regroupe des couturiers, des sculpteurs, des cordonniers, des gens qui s’activent dans la restauration et un informaticien. Ils tentent tous de maintenir vivante une activité qui participe au rayonnement culturel de la région», explica ele. Sob as árvores do espaço ou dentro das cabanas, o barulho de martelos, de máquinas de costura e de ferramentas de escultura define o ritmo do ambiente. Cada um tenta preservar saber-fazes transmitidos de geração em geração, apesar de um contexto econômico e de um ambiente bastante complicado. É o caso de Serigne Saliou Thiam, instalado na vila há um ano. Sentado na sua cabana abarrotada de sapatos, solas e potes de cola, o sapateiro está trabalhando uma sandália, «pedido de um cliente». Segundo ele, os artesãos vão se virando como podem. «Não reclamamos demais: seguimos com nossa atividade e as pessoas vêm nos procurar aqui de vez em quando», afirma. Segundo ele, a arte alimenta o homem em Tambacounda, mas as dificuldades não faltam. Quanto a ele, Saliou Thiam cita as dificuldades ligadas ao custo das matérias-primas de sua atividade, que são muito mais caras na região do que em Dakar ou Mbour. «Comprei esse pote de cola adesiva por 3.000 FCFA, enquanto em Dakar custa 2.400 FCFA», lamenta. Segundo ele, a distância de Tambacounda e as despesas de transporte tornam a atividade mais cara para os artesãos locais. A isso se soma, diz ele, a dificuldade de acessar financiamento para desenvolver suas oficinas. Um pouco mais adiante, em outra cabana repleta de estátuas e objetos esculpidos, Amadou Ba trabalha a madeira com minúcia. Presente na vila artesanal desde 1991, o escultor afirma que os artesãos precisam sobretudo de apoio financeiro para modernizar suas atividades e escoar melhor seus produtos. Ele reconhece, porém, os esforços feitos desde a pandemia de Covid-19.
«Desde esse período, obtivemos isenção por parte da direção da vila. Não pagamos mais as taxas de aluguel», destaca. Um testemunho confirmado por Abdoulaye Sarr. O presidente da Câmara de Ofícios reconhece as dificuldades econômicas e infraestruturais às quais os artesãos da região estão confrontados.
«Não apenas o local está deteriorado, mas a clientela nem sempre comparece. Fora dos períodos turísticos, marcados pela chegada de visitantes e turistas especialmente em abril e maio, a atividade costuma ficar frequentemente lenta», confidencia. No entanto, apesar dessas restrições, o Sr. Sarr exalta a resiliência dos artesãos que continuam a manter vivo o seu saber-fazer com paixão e determinação.
Virtuoses sob restrições
É o caso da mulher de Amadou Ba. Compartilhando a mesma cabana com o marido, Coumba Sow dedica-se a desenhar delicadamente motivos com tinta preta sobre uma cabaça. Concentrada na sua obra, ela explica que esses objetos artesanais são particularmente procurados em cerimônias de casamento e outros eventos familiares. Através de suas criações, o casal perpetua um artesanato tradicional que atrai tanto visitantes quanto moradores da região. Mbaye Sarr compartilha também as preocupações de seus colegas entre a falta de meios, o problema de acesso às matérias-primas, etc. Em seu ateliê de costura, esse alfaiate estabelecido no village há dois anos acredita que o principal desafio continua sendo a deterioração do local. «O que nos preocupa é sobretudo a imagem arcaica do village. Queremos um village artesanal mais moderno», afirma. Para ele, a renovação da infraestrutura poderia permitir atrair mais clientes e turistas. Ele se alegra, contudo, com a recente visita do presidente Bassirou Diomaye Faye a Tambacounda, que ele vê como um sinal de esperança para os artesãos da região.
Por Souleymane WANE (Texto) e Assane SOW (Fotos)
