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Agricultores da CAP decidem levantar os bloqueios: A1 reabre em Santarém, Vila Franca de Xira e no distrito de Aveiro

Acordo com o Governo e saída gradual da A3

Após duas semanas de bloqueios entre Braga e Valença, na A3, os agricultores da chamada Coordenação Rural decidiram levantar as barreiras ao trânsito ao meio‑dia. Segundo porta‑vozes do movimento, houve um acordo com o Ministério da Agricultura e com a DGAV, ainda pendente de uma última reunião de validação. A retirada dos tratores será feita de forma faseada, para garantir a segurança de condutores e manifestantes.

O entendimento não incluiu o fim do abate total dos efetivos bovinos com suspeita de dermatose nodular, exigência central dos produtores. Ainda assim, foram obtidas concessões em apoios financeiros e em medidas de gestão de crise sanitária. As equipas da GNR e da Infraestruturas de Portugal acompanham a desmobilização ao longo da autoestrada.

A retirada dos bloqueios na **A3** decorre de forma **gradual**, com acompanhamento **policial**.

O que ficou em cima da mesa

O ponto mais sensível continua a ser a sanidade animal e a estratégia face à dermatose nodular bovina. A Coordenação Rural reclama um modelo mais proporcional, com rastreio intensivo e vacinação, antes de qualquer abate. O Governo defende a primazia do controlo epidemiológico e do princípio da precaução nas explorações.

Mesmo sem mudar a regra do abate total, as partes alinharam um pacote de medidas de alívio e de acompanhamento. Entre as principais decisões, destacam‑se os seguintes compromissos:

  • Pagamento acelerado de indemnizações e atualização dos valores de referência.
  • Criação de uma equipa técnica independente para avaliar alternativas ao abate total.
  • Linhas de crédito com juros bonificados para tesouraria e reposição de efetivos.
  • Reforço da vigilância veterinária e clarificação dos protocolos de movimentação.
  • Isenção temporária de portagens para transporte de rações e serviços veterinários.

Segundo fonte do Ministério, estas medidas visam “minimizar o impacto imediato” sem fragilizar a resposta sanitária. Para os agricultores, o acordo abre “uma porta” para corrigir práticas consideradas “excessivas” no terreno. A execução será acompanhada por um calendário público e por relatórios mensais.

Bloqueios na A1 levantados, mas Norte mantém pressão

No Centro e no Litoral, os agricultores da Coordenação Rural comunicaram também o fim do bloqueio na A1, ao sul do Porto. A decisão foi anunciada nas redes sociais, com garantia de que não representa “um retrocesso” nem um “abandono”. Equipas de apoio permanecem no local para limpeza e recolha de material.

No entanto, parte da estrutura no Norte mantém pontos de pressão, com vigílias na A28 e em acessos do Alto Minho. O objetivo é preservar a visibilidade do protesto e acompanhar o desenrolar das negociações. A GNR pediu “prudência” aos condutores e salientou o respeito pelas normas de circulação.

“O essencial é que a nossa voz foi ouvida e que não perdemos a batalha”, afirmou um dos porta‑vozes da Coordenação Rural. “Tentámos de uma maneira, não funcionou, mas vamos fazê‑lo de outra forma”, acrescentou, prometendo uma presença “persistente e pacífica” nos próximos dias. A mensagem foi recebida com aplausos por dezenas de agricultores e simpatizantes.

Um conflito que regressará em janeiro

A Coordenação Rural frisou que as reivindicações “mantêm‑se intactas” e que a mobilização regressará em janeiro. A estratégia passará por ações mais abrangentes, com envolvimento de outras fileiras agroalimentares e contacto direto com autarquias. O movimento quer ampliar a base social do protesto e diversificar os meios de pressão.

Entre as prioridades, os agricultores colocam a simplificação administrativa e a revisão de regras europeias com impacto na produção. Há também apelos a uma política de seguros mais eficaz e a uma rede de apoio técnico reforçada. O tema dos custos de energia e das rações volta igualmente à linha da frente.

Para já, o levantamento dos bloqueios traz alívio ao trânsito e reduz perdas na logística regional. Mas a tensão permanece latente, tanto nos campos como nas instituições. Sem um entendimento de fundo sobre sanidade, rendimentos e preços, o conflito tende a reacender com a entrada no novo ano.

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