Um incêndio deflagrou na manhã de sábado, 20 de setembro, num prédio de habitação na cidade do Porto, causando a morte de um homem de 50 anos com deficiência. O fogo começou no rés-do-chão do número 36 da Rua de Santos Pousada e alastrou rapidamente ao sótão e à estrutura do telhado.
As chamas e o fumo denso espalharam-se pelas escadas, apanhando vários moradores de surpresa e dificultando as escapatórias. Oito pessoas ficaram feridas, com gravidade considerada ligeira a moderada, e foram assistidas pelo INEM antes de seguirem para o Hospital de São João.
Resgate e vítimas
Segundo os Bombeiros Sapadores do Porto, vários residentes conseguiram abandonar o edifício através das varandas e de corredores laterais. Duas crianças terão saltado de uma janela do primeiro andar para uma área ajardinada, onde foram amparadas por vizinhos.
Uma mulher ficou encurralada no telhado, obrigando a uma manobra de resgate com autoescada num cenário de forte calor radiante. “Fizemos um cordão de segurança e retiramos a vítima com grande rapidez, evitando uma queda”, disse Carla Monteiro, adjunta do comandante dos Bombeiros, descrevendo o pânico vivido no local.
A vítima mortal, um morador com mobilidade reduzida, foi encontrada num apartamento interior fortemente tomado pelo fumo, onde o acesso se revelou especialmente difícil. As autoridades confirmaram o óbito no local e acionaram os serviços de apoio às famílias.
Operação de socorro
Um dispositivo de grande envergadura foi mobilizado, com cerca de 60 operacionais e 30 viaturas, incluindo autoescadas, ambulâncias e um posto de comando móvel. As equipas trabalharam para conter a propagação vertical do fogo, protegendo as frações contíguas e os vãos de escada.
Os trabalhos prolongaram-se pela tarde, com operações de arrefecimento e ventilação para dissipar o fumo retido nas zonas altas do edifício. Técnicos de gás e eletricidade isolaram as redes, enquanto a PSP assegurou o perímetro e desviou o trânsito nas ruas adjacentes.
Causas sob investigação
As causas do incêndio permanecem por apurar, estando a Polícia Judiciária a realizar perícias no local. Várias hipóteses estão em análise, desde um curto-circuito a uma fonte de calor mal vigiada, mas ainda sem conclusões.
A autarquia promete transparência e rigor na investigação, apelando à calma da população e à cooperação com os inquiridores. “Toda a luz deverá ser feita sobre as circunstâncias do início do incêndio, e tiraremos todas as lições necessárias”, afirmou o vereador municipal responsável pela Proteção Civil.
Vizinhança em choque
O prédio situa-se a cerca de três quilómetros da Sé do Porto, numa zona com comércio de proximidade e prédios antigos. Muitos moradores permaneceram na rua, envoltos em mantas térmicas, recebendo água e apoio psicológico por parte das equipas de emergência.
Vizinhos descreveram momentos de aflição, com janelas a serem partidas para libertar fumo e moradores a chamarem por ajuda. “Sentimos um cheiro a plástico queimado, depois a escada encheu-se de fumo em segundos; foi aterrador”, relatou um residente, ainda visivelmente abalado.
Apoio às famílias e prevenção
A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia ativaram uma resposta de emergência para alojar temporariamente os desalojados e recolher bens de primeira necessidade. As famílias receberão orientação social, apoio psicológico e informação sobre seguros e procedimentos legais.
- Ponto de acolhimento temporário no pavilhão municipal, com refeições e mantas para os desalojados
- Linha de apoio social para informações e encaminhamento para alojamento de emergência
- Recolha de donativos de roupa, produtos de higiene e pequenos eletrodomésticos
- Avaliação técnica das estruturas do prédio e verificação das instalações elétricas
- Sessões de sensibilização para prevenção de incêndios domésticos em parceria com os Bombeiros
As equipas técnicas vão garantir que o edifício permanece estável e seguro, enquanto decorrem as perícias. Os moradores só poderão regressar às suas casas quando as condições forem consideradas adequadas, e após um plano de reparação faseado.
Um apelo à prudência
Especialistas em segurança doméstica lembram que detetores de fumo, extintores portáteis e a manutenção regular de instalações elétricas podem salvar vidas. Recomenda-se a elaboração de um plano de evacuação familiar e a prática periódica de simulações.
Embora o luto pese sobre a comunidade, o esforço concertado de socorro e solidariedade foi amplamente elogiado por residentes e autoridades. À medida que a cidade procura respostas, a prioridade permanece clara: proteger as pessoas e reconstruir, com segurança, o que o fogo destruiu.
