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Tragédia em Portugal: três pessoas continuam desaparecidas após cheias devastadoras

As autoridades portuguesas procuram três pessoas desaparecidas após inundações provocadas por chuvas intensas no sul do país. A Proteção Civil apela a uma “precaução extrema” e reforça o dispositivo de emergência em várias localidades do Algarve.

Do Algarve ao Alentejo

Durante a madrugada, vídeos partilhados nas redes sociais mostraram ruas transformadas em torrentes, com carros arrastados e casas parcialmente alagadas. Em Portimão e Silves, equipas de bombeiros removeram destroços e reabriram acessos bloqueados.

Segundo a GNR, duas pessoas são dadas como desaparecidas na área de Portimão e uma terceira foi vista pela última vez perto de Silves. Estão no terreno equipas cinotécnicas, drones e botes de salvamento, numa corrida contra o tempo.

O IPMA reduziu o aviso de vermelho para laranja no Algarve, mas alertou para núcleos de precipitação “muito intensa” a deslocarem-se para o Baixo Alentejo e o litoral sudoeste. As autoridades temem novas cheias súbitas em linhas de água já saturadas.

Memória de uma catástrofe

Portugal tem sentido de forma aguda os efeitos do clima em mutação, com mais eventos extremos e padrões de precipitação erráticos. Especialistas sublinham que a combinação de solos secos com aguaceiros concentrados potencia escoamentos violentos e inundações relâmpago.

A lembrança das cheias que atingiram várias zonas urbanas nos últimos anos — incluindo episódios graves na Grande Lisboa — mantém-se viva na opinião pública. Desde então, municípios reforçaram bacias de retenção e planos de contingência, mas os episódios de chuva intensa continuam imprevisíveis e cada vez mais frequentes.

“Pedimos serenidade, mas uma atenção redobrada: evitem atravessar vias inundadas e sigam as instruções das autoridades”, afirmou um porta-voz da GNR em Faro. A Proteção Civil recorda que apenas 30 centímetros de água em movimento podem arrastar um veículo ligeiro.

Operações de busca e apoio

Ao longo da manhã, equipas de resgate vasculharam margens de ribeiras e zonas de várzea, com apoio de helicópteros e viaturas anfíbias. Vários habitantes foram retirados de residências térreas e levados para centros de acolhimento temporário montados por autarquias.

Os serviços municipais de proteção civil intervêm em pontos críticos com motobombas e barreiras de contenção, tentando estabilizar infraestruturas e restabelecer energia. Linhas telefónicas de apoio foram ativadas para pedidos de assistência urgente e informações sobre familiares.

No trânsito, há condicionamentos em estradas municipais e nacionais devido a lençóis de água, aluimentos e árvores caídas. Aconselha-se a evitar deslocações desnecessárias e a privilegiar percursos alternativos mais elevados.

Como agir em segurança

  • Evite atravessar zonas com corrente forte, mesmo com água aparentemente baixa.
  • Afaste-se de linhas de água e ribeiras; pequenos cursos podem tornar-se perigosos.
  • Não retire obstáculos de grelhas sozinho; contacte os serviços municipais.
  • Desligue a eletricidade em caves e garagens sujeitas a alagamento.
  • Mantenha um kit de emergência com lanterna, rádio e documentos essenciais.
  • Siga as contas oficiais da Proteção Civil e do IPMA para avisos atualizados.

Comunidades em rede

As autarquias mobilizaram voluntários para apoiar limpezas, distribuição de alimentos e verificação de vizinhos idosos. Escolas e pavilhões desportivos funcionam como abrigos, com camas de campanha e mantas térmicas disponíveis.

Organizações locais pedem doações de água potável, produtos de higiene e roupa adequada para chuva. Linhas de comboio regionais operam com atrasos, enquanto equipas de manutenção verificam taludes e passagens inferiores.

Previsão e próximos passos

O IPMA prevê períodos de chuva por vezes forte, com possibilidade de trovoada e rajadas locais. A tendência é de melhoria gradual ao longo da noite, mas a saturação do solo pode prolongar o risco de cheias nas próximas horas.

A Proteção Civil mantém o estado de alerta e coordena-se com municípios, forças de segurança e operadores de infraestruturas. As famílias de desaparecidos recebem apoio psicológico, enquanto prosseguem as buscas com todos os meios disponíveis.

Numa altura de insegurança meteorológica, o apelo é claro: prudência, solidariedade e respeito pelos cordões de segurança. A rápida cooperação entre vizinhos, serviços e autarquias pode fazer a diferença entre um susto e uma tragédia maior.

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