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Situação surreal em Braga: canteiros recém-colocados impedem-no de entrar na própria garagem — indignação geral

Num recanto da freguesia da Madalena, em Vila Nova de Gaia, as obras de requalificação urbana avançam a bom ritmo e muitos aplaudem a nova imagem do bairro. Ainda assim, no detalhe, moradores denunciam situações que roçam o caricatural: canteiros e floreiras que impedem as manobras de acesso às garagens. Há poucas semanas, circularam fotos de canteiros recém-colocados a bloquear a saída de veículos, e uma das proprietárias afetadas, Margarida Ribeiro, decidiu mostrar o quão absurda é a cena. O pai, Bernardo Ribeiro, assumiu a explicação.

A demonstração do impossível

“Há um ano comprámos a casa no nº 15 da Rua da Madalena, com uma garagem a dar para as traseiras. Mas, com os novos arranjos, a garagem ficou praticamente inutilizável”, reclama Bernardo. Ele tenta entrar com o carro e a manobra é tão apertada que raspa nos canteiros ou sobe o lancil do passeio. Com uma reboque, avisa, será ainda pior, sobretudo em marcha-atrás numa zona com raio de viragem reduzido.

Durante meses, devido às obras, o acesso traseiro esteve fechado, e a família nem conseguiu remover os resíduos verdes do jardim. “Fazer esta manobra com reboque aqui vai ser quase impossível”, lamenta o morador, apontando marcas recentes nas bordaduras dos canteiros.

O urbanismo que desafia o bom senso

Nas traseiras, foi criado um percurso pedonal em betão “vassourado” e, ao lado, canteiros com flores e arbustos, ainda um tanto mirrados. O problema é que os espaços verdes ficaram tão próximos das portas das garagens que os proprietários são obrigados a passar por cima da terra para conseguir alinhar o veículo. A questão foi sinalizada em reuniões de obra, mas a resposta do gabinete de projeto deixou os moradores incrédulos.

“Disseram-nos: ‘passem por cima das floreiras para fazerem as manobras normalmente e depois logo se pelas marcas’”, relata Bernardo. “Fazem-se as obras, constata-se que não dá, e depois refaz-se tudo. É de um ‘bom senso’ desarmante”, ironiza o residente, que não percebe por que motivo o acesso às garagens recebeu um leito de terra e pedra pouco carrossável. “Por que não colocaram ‘tout-venant’ ou um estabilizado mais limpo? Já que o passeio é em betão vassourado, por que não uniformizar o pavimento?”, questiona.

A rampa de acesso em escadaria já apresenta fissuras (©Le Réveil Normand)

37 velhas garagens terão de ser esvaziadas

Um pouco mais acima, perante uma linha de 37 garagens antigas, a via de acesso em escadaria exibe o mesmo betão vassourado, já com pequenas fissuras. Um inquilino, que aluga uma das boxes, duvida da durabilidade do revestimento. “A água vai infiltrar-se rápido e o betão vai abrir, sobretudo com a passagem de veículos”, adverte, apontando pontos onde o escoamento parece deficiente.

Para piorar, a geografia do local tornou o acesso apertado, com degraus altos e um murete a limitar manobras, sem que as obras tenham servido para alargar a via. “Com estas escadas, entrar com o carro não é simples, e lá em baixo, junto ao murete, é um sufoco”, resume um morador.

Chegou ainda uma carta do bailador a avisar de trabalhos de remoção de amianto a partir de meados do mês e, logo depois, intervenções nas coberturas. O problema é que muitos usam as garagens como arrecadação e não sabem onde pôr tudo até que as obras terminem.

As garagens, “o que ainda fazem aqui?”

No fundo, a intenção de renovar as coberturas parece acertada, mas levanta uma questão maior: estas garagens, coevas do bairro, já não correspondem às medidas dos carros de hoje, o que explica a sua subutilização. “Por que não substituí-las em vez de apenas trocar os telhados?”, pergunta um residente, que também se queixa de infiltrações no apartamento enquanto se investe, lá fora, no “embelezamento”. Outro vizinho vai mais longe: “Quando o bairro estiver renovado, este conjunto de garagens vai destoar e parecer uma peça de museu”.

“Não é por morarmos na Madalena que conduzimos todos uns carrinhos”, brinca um habitante, sublinhando que as larguras de portas e os ângulos de acesso já não servem os SUVs e carrinhas cada vez mais largas.

O que os moradores pedem

Para evitar que a requalificação se transforme numa sucessão de remendos, os moradores deixam propostas simples e exequíveis:

  • Reposicionar ou reduzir os canteiros junto às portas das garagens.
  • Marcar zonas de manobra com pavimento resistente e antiderrapante.
  • Substituir o leito em terra-pedra por “tout-venant” ou estabilizado.
  • Rever a drenagem e as pendentes para evitar infiltrações no betão.
  • Testar manobras com carros reais antes da obra final.

“Queremos uma rua bonita, claro, mas que também funcione”, sintetiza Margarida Ribeiro. A autarquia reconhece que haverá “ajustes finos” após a obra, mas, para quem hoje precisa de sair do garagem sem esmagar flores, cada dia parece uma lição prática de como o urbanismo pode, às vezes, esquecer o mais elementar: deixar o morador entrar e sair de casa.

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