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Reviravolta chocante na Guerra da Ucrânia: novos lançadores de foguetes norte-coreanos enviados à Rússia são destruídos antes mesmo de chegarem à linha de frente

As explosões de 22 de abril atingiram um dos mais importantes depósitos de munições da Rússia, interrompendo discretamente um fluxo de armamento que Moscovo tentava reforçar. Antes de chegarem ao front, novos lançadores múltiplos de foguetes teriam sido destruídos, neutralizando um reforço que viria, segundo indícios, da Coreia do Norte. O episódio expõe fragilidades logísticas e acentua a disputa na profundidade da cadeia de abastecimento.

Explosões no 51º arsenal do GRAU

No dia 22 de abril, violentas explosões devastaram cerca de um quilómetro quadrado do 51º arsenal da Direção Principal de Mísseis e de Artilharia (GRAU), um dos maiores depósitos de munições do país. À época, Kyiv estimou a presença de até 105 mil toneladas de munições, realçando a dimensão do golpe. Relatos iniciais mencionaram a destruição de lançadores múltiplos Type 63, de origem chinesa, e possíveis cópias iranianas.

A sequência de detonações sugere um incêndio de grande intensidade propagado por cargas sensíveis, típico de armazéns com materiais variados e instáveis. Em depósitos desse porte, uma única falha pode escalar para deflagrações em cadeia, com impacto estrutural e perdas difíceis de quantificar.

Do Type 63 ao Type 75

Entretanto, avaliações mais recentes apontam para outra hipótese. Em entrevista ao The War Zone, o chefe do GUR, Kyrylo Budanov, indicou ser mais provável que os sistemas atingidos fossem Type 75, provavelmente fornecidos pela Coreia do Norte. O Type 75 é considerado uma cópia do Type 63 chinês, mantendo filosofia de emprego similar.

As características do Type 75 não são totalmente públicas, mas devem espelhar o Type 63. Este tem alcance de cerca de 8 km com mísseis convencionais e até 11 km com munições mais modernas. O peso de cada foguete ronda 18 a 19 kg, com cerca de 8 kg de ogiva.

  • Alcance típico: 8 a 11 quilómetros, dependendo do tipo de foguete.
  • Ogiva aproximada: 8 kg de explosivo, adequada para alvos de área.
  • Função: saturação de setores e apoio de fogo de curto alcance.
  • Plataforma: lançador múltiplo de tubos, simples e robusto.

Impacto estratégico e logístico

A eliminação dos lançadores antes do emprego prático é um revés duplo. Por um lado, impede a rápida conversão de estoques em poder de fogo no front. Por outro, obriga Moscovo a rever rotas de transporte e critérios de armazenamento em profundidade.

Num contexto de guerra de desgaste, saturar o campo de batalha com sistemas simples e numerosas ogivas leves pode criar vantagens táticas. Porém, sem depósitos seguros e dispersão adequada, o ganho esperado se transforma em vulnerabilidade, perdendo-se meios antes da integração operacional.

O que dizem Kiev e Moscovo

A Ucrânia explora o episódio como prova de eficácia de inteligência e de ataques em profundidade. Moscovo, por sua vez, tende a minimizar ou a enquadrar o ocorrido como acidente, estratégia comum para preservar a moral e a narrativa de controle. A névoa da guerra favorece versões concorrentes, ainda que o dano físico seja inequívoco.

Em palavras atribuídas a Kyrylo Budanov, registradas pelo The War Zone: “É mais provável que os lançadores atingidos sejam do Type 75, possivelmente fornecidos pela Coreia do Norte.” A frase resume a leitura ucraniana sobre a origem do material, reforçando a tese de fornecimentos discretos a partir de Pyongyang.

O elo norte-coreano sob pressão

O envolvimento da Coreia do Norte na cadeia de reabastecimento russa tem sido denunciado por Kiev e aliados ocidentais. Para Pyongyang, enviar sistemas simples e comprovados como os MLRs de curto alcance é uma forma de obter moeda política e técnica, mantendo um perfil de plausível negação. Contudo, cada remessa aumenta a exposição a sanções e vigilância internacional mais apertada.

A destruição desses meios no solo russo mostra que a interdição não ocorre apenas no mar ou nas rotas terrestres, mas também no ponto de armazenagem. Isso força os russos a fracionar depósitos, reforçar proteções passivas e investir em contramedidas contra reconhecimento e ataque de precisão.

O que vem a seguir

Se o abastecimento norte-coreano persistir, é provável ver novas tentativas de integração de lançadores Type 75 ou equivalentes em brigadas russas de artilharia. A eficácia dependerá da capacidade de dispersão, camuflagem e proteção aérea de curto alcance próxima aos depósitos. Sem isso, as perdas pré-frente continuarão a corroer qualquer ganho de quantidade.

Para a Ucrânia, operações que atingem a logística inimiga mantêm o ciclo de atraso e elevação de custos, estratégia coerente com uma guerra de atrição. O episódio de 22 de abril ilustra como a disputa pelo que chega — e pelo que não chega — ao front pode ser tão decisiva quanto o duelo de artilharia nas linhas de contato.

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