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Polémica no Algarve: banhistas obrigados a afastar-se para dar lugar a uma cerimónia de casamento na praia

Num fim de semana ainda de calor em Cascais, a Praia de Carcavelos viu-se transformada, por instantes, em salão a céu aberto. Um casal montou um pequeno altar, alinhou cadeiras na areia e ligou uma coluna, recebendo cerca de cinquenta convidados. Entre toalhas, pranchas e chapéus-de-sol, alguns banhistas foram convidados a mudar-se uns metros para não “entrar” nas fotografias.

A cena, em plena maré alta, apanhou muitos de surpresa. Houve quem aplaudisse a ousadia, mas também quem criticasse a “privatização” momentânea de um espaço público. “Percebo o romantismo, mas a praia é de todos”, disse um frequentador habitual, abanando a cabeça.

Autorizações e limites no areal

Segundo fonte da Câmara Municipal de Cascais, o casal tinha pedido autorização para ocupar uma pequena área do domínio público marítimo. A comunicação incluiu o concessionário local e a Capitania do Porto de Cascais, como determina a lei. A utilização de som amplificado, frequentemente proibida, foi permitida por um período curto, com volume controlado.

A cerimónia durou cerca de quarenta minutos, sob o olhar discreto de nadadores-salvadores e da Polícia Marítima. Ainda assim, o “choque de usos” tornou-se evidente nos últimos dias do verão. Um corredor de passagem foi mantido livre, mas o aperto da maré encolheu o espaço disponível.

“Temos de conciliar vontades e regras: quem casa na praia deve planear bem, e quem está a banhos precisa de tolerância”, afirmou um autarca local. “O objetivo é que todos saiam satisfeitos, sem lixo e sem excessos.”

Banhistas divididos entre simpatia e irritação

Para alguns, foi um momento bonito, com aplausos, sorrisos e até lágrimas. Para outros, um estorvo ao descanso, a poucos metros de crianças que construíam castelos de areia. “Pediram-nos para mexer a toalha duas vezes, sempre com educação, mas eu já estava instalado”, relatou um pai de família.

A diferença entre o código do “bom senso” e as regras formais fez-se notar. Houve quem criticasse a ausência de aviso prévio na zona de banhos, sugerindo a colocação de cartazes informativos. Outros lembraram que o vento típico da linha de Cascais complica qualquer logística.

Uma tendência que cresce no litoral português

Casamentos na praia multiplicam-se em toda a costa portuguesa. O cenário é fotogénico, o ambiente é descontraído e a memória fica mais intensa. Mas a maré, o vento, a areia e a afluência de público trazem desafios que não se resolvem só com flores e boa vontade.

Empresas de eventos recomendam datas fora de picos de afluência e horários de final de tarde, quando o areal esvazia e a luz é mais suave. A coordenação com a Capitania, a Câmara e o concessionário é crucial, sobretudo em praias vigiadas. Sem esse alinhamento, o idílio vira confusão.

Como evitar conflitos num “sim” à beira-mar

  • Escolher uma praia ou recanto menos concorrido, de preferência fora de horas de maior pressão.
  • Confirmar licenças com a APA/ARH, a Capitania e a Câmara, e alinhar com o concessionário.
  • Consultar marés e prever espaço extra para recuos de última hora.
  • Usar som de baixo volume e limitar a duração de discursos e música.
  • Delimitar a área com discrição, garantindo corredores de passagem.
  • Informar com pequenos avisos e manter equipas de limpeza no final.
  • Ter plano B para vento, chuva ou sobrecarga de público.

O dia seguinte e as lições tiradas

Na manhã seguinte, pouco restava além de marcas de pés e algumas pétalas perdidas. O concessionário confirmou a recolha de resíduos e a normalização do areal. A discussão, porém, continuou nas redes e nos cafés de bairro.

Para a autarquia, o caso serve de manual prático. Mais do que proibir, a ideia é regular, com janelas horárias, limites de ruído e equipas de apoio. Para os casais, fica a nota: a praia é pública, partilhada e sujeita a imprevistos.

“Se respeitarem o lugar e as pessoas, ninguém perde o dia”, resume uma moradora de Carcavelos. No fim, entre um “sim” e uma selfie, o essencial é que o mar continue de todos — e que o bom senso não entre em maré baixa.

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