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Noite de choque em Matosinhos: seis pescadores apanhados em flagrante numa mega operação de fiscalização noturna no porto

Seis pescadores foram autuados numa ação de fiscalização noturna realizada no porto de recreio de Setúbal, com apreensão de diverso material e registo de várias infrações. A operação decorreu no estuário do Sado, numa zona onde a pesca recreativa está condicionada por razões de segurança e de conservação.

A intervenção juntou a Polícia Marítima, a Capitania do Porto de Setúbal e Sesimbra, elementos da GNR – Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras, a Polícia Municipal de Setúbal e equipas da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra. O objetivo foi assegurar o cumprimento dos editais em vigor e travar práticas recorrentes que perturbam a atividade portuária e o ecossistema local.

Os agentes verificaram o uso de iscas proibidas, a presença de linhas com anzóis múltiplos e a colocação de aparelhos de iluminação subaquática para atração de peixe, todos procedimentos vedados nos canais e bacias do porto de recreio. Em dois casos, os pescadores não tinham licença válida, e noutros três foram detetados excessos de captura acima dos limites diários permitidos.

“Não se trata de ‘caça à multa’, mas de proteger a segurança de todos e um património natural que é de Setúbal e do país”, afirmou um responsável da Capitania, sublinhando que, em contexto de porto, o risco de acidentes e de colisões com embarcações é real e deve ser prevenido.

Os operacionais apreenderam canas de pesca, carretos de grande capacidade, redes artesanais de pequeno malho e lâmpadas de imersão utilizadas para concentrar cardumes junto a cais e fundeadouros. O material ficará retido até decisão final dos processos, que poderão culminar em coimas e sanções acessórias.

Os editais da Capitania e o Regulamento do Porto proíbem a pesca em áreas de manobra de embarcações, pontões de abastecimento e zonas de amarração, bem como em trechos sensíveis do estuário do Sado. Nesses locais, o trânsito de barcos, o risco de quedas à água e a presença de golfinhos‑roazes exigem contenção e fiscalização regular.

As autoridades recordam que o estuário do Sado é um espaço de elevada sensibilidade, com pradarias marinhas, aves migratórias e a conhecida população de golfinhos. A pressão de pescas noturnas, o abandono de fio de nylon e o uso de luzes intensas têm impactos cumulativos na fauna e na navegação.

A operação decorreu entre as 22h00 e as 2h00, com equipas posicionadas nos principais acessos ao porto de recreio e ao canal de manobra. Os agentes atuaram de forma discreta, usando binóculos térmicos e apoio de embarcações sem marcações visíveis, para flagrar situações em flagrante delito.

Segundo a Autoridade Marítima, as ações vão ter continuidade nos próximos meses, com foco em fins de semana, períodos de marés favoráveis e épocas de maior afluxo de praticantes. “Quando a fiscalização é constante, o respeito pela regra cresce e o Sado agradece”, acrescentou a mesma fonte.

A Câmara Municipal de Setúbal lembra que a pesca recreativa é bem‑vinda quando cumpre a lei e respeita vizinhança e ambiente. Em áreas indevidas, traz ruído, lixo e situações de perigo, sobretudo para quem circula nos pontões ou faz desporto de praia à noite.

Para evitar coimas e contribuir para a proteção do estuário, as autoridades deixam recomendações simples a quem pretende pescar na região, fora dos perímetros proibidos.

Boas práticas para quem pesca no Sado

  • Verificar previamente os editais da Capitania e o mapa de zonas interditas no porto de recreio.
  • Garantir a licença de pesca recreativa válida e o documento de identificação.
  • Respeitar limites de captura, tamanhos mínimos e espécies protegidas.
  • Evitar luzes de alta intensidade, iscagem com cebos proibidos e artes não autorizadas.
  • Manter distância de áreas de manobra, pontões de abastecimento e fundeadouros.
  • Recolher todos os resíduos, sobretudo linhas e anzóis, depositando‑os em ecopontos.

Infrações e processos em curso

Nos seis casos detetados, foram levantados autos por pesca em zona interdita, por falta de licença, por uso de meios de atração luminosa e por superação de quotas. Em duas situações, foram ainda registadas infrações por ruído e consumo de álcool em espaço público durante período de silêncio noturno.

Os processos seguem agora para instrução, com audição dos arguidos e eventual aplicação de coimas que podem ir de valores moderados a montantes mais elevados, consoante a gravidade, a reincidência e o tipo de apetrechos utilizados. O material poderá ser devolvido ou declarado perdido a favor do Estado, de acordo com a decisão final.

Equilíbrio entre lazer e proteção

As entidades envolvidas garantem que o objetivo não é afastar a comunidade do mar, mas assegurar um equilíbrio entre lazer, segurança e sustentabilidade. A pesca recreativa tem forte tradição em Setúbal, mas deve conviver com a navegação comercial, o turismo náutico e a conservação do Sado.

Com fiscalização regular, informação clara e bom senso por parte de todos, o estuário pode continuar a ser um espaço de partilha, onde quem gosta de pescar o faz com prazer e dentro das regras, protegendo a vida marinha e a segurança de quem utiliza o porto.

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