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Mais de 1 milhão de euros: a megaobra que está a transformar uma cidade do Norte de Portugal — sabe o que vai nascer?

Uma aposta cultural no coração do Minho

A vila de Arcos de Valdevez, perto de Viana do Castelo, prepara-se para um investimento cultural de mais de um milhão de euros. A partir desta segunda-feira, 27 de outubro de 2025, arrancam as obras de uma nova mediateca municipal com 472 m², pensada para ser um ponto de encontro entre leitura, tecnologia e comunidade.

O objetivo é criar um espaço “nova geração”, onde convivam livros, música, cinema e conteúdos digitais. A autarquia quer que a mediateca seja um lugar vivo, com programação regular e áreas flexíveis, capaz de acolher famílias, estudantes, seniores e novos criadores.

Uma nova vida para o antigo quartel

O edifício escolhido é o antigo quartel dos bombeiros, um símbolo local que ganhará uma segunda vida. Em vez de uma demolição, optou-se por uma reabilitação integral, preservando a memória do lugar e reduzindo o impacto ambiental do projeto.

A obra integra-se num plano mais abrangente de valorização do centro histórico e do edifício dos Paços do Concelho. A mediateca funcionará como âncora de dinamização urbana, atraindo público para o comércio de proximidade e atividades culturais regulares.

Arquitetura sustentável e conforto o ano inteiro

O projeto foi desenhado com uma lógica de baixa pegada de carbono, combinando tijolo existente, madeira certificada e isolamentos biossustentáveis. Estão previstas telas fotovoltaicas integradas na cobertura, sistemas de sombreamento no envidraçado e ventilação natural assistida por brassos de ar.

Para o conforto, haverá pavimentos radiantes/refrescantes, luz natural otimizada e acústica ajustada a vários usos. As soluções técnicas procuram reduzir custos operacionais e garantir um espaço acolhedor no verão e no inverno.

Espaços para todos, em dois pisos

Distribuída por dois andares, a mediateca oferece zonas para descoberta e para concentração. O piso térreo será o coração público, com áreas de leitura informal, multimédia, jogos e informática, além de balcão de acolhimento e serviços técnicos.

No piso superior, ganha destaque o universo juvenil, com um setor dedicado a crianças e adolescentes, zona de DVD/streaming educativo, postos de computador, canto de leitura confortável e uma pequena área administrativa. A acessibilidade é total, com percursos claros, elevador e sinalética inclusiva.

Mais do que livros: serviços e experiências

A futura mediateca pretende combinar tradição e inovação, articulando o empréstimo de documentos com atividades de mediação cultural. Ao lado da leitura, haverá oferta de formação digital, encontros com autores, clubes de leitura e cinema comentado.

Entre as funcionalidades previstas destacam-se:

  • Empréstimo de livros, revistas e audiolivros;
  • Acesso a música, cinema e bases de dados;
  • Zona de videojogos e multimédia educativa;
  • Espaço “maker” com impressão 3D e oficinas criativas;
  • Salas para estudo e trabalho colaborativo;
  • Programação para famílias e escolas;
  • Wi‑Fi gratuito e apoio à literacia digital.

Quanto custa e quem paga

O investimento total está estimado em 1,36 milhões de euros (sem IVA), com financiamento partilhado entre Câmara Municipal, fundos da União Europeia e apoios nacionais à transição digital e climática. O calendário aponta para abertura ao público depois da Páscoa de 2027, seguindo um plano de obra faseado e controlos de qualidade em cada etapa.

Segundo a autarquia, o modelo financeiro foi desenhado para garantir sustentabilidade e maximizar a captação de fundos externos, reduzindo o esforço direto do município e assegurando manutenção responsável no médio prazo.

Impacto na comunidade

Mais do que um edifício, a mediateca quer ser um serviço público de proximidade. Pretende reforçar a coesão social, apoiar o sucesso escolar e incentivar a criação local. Haverá parcerias com escolas, associações e agentes culturais, promovendo uma programação regular ao longo do ano.

“Este é um investimento com retorno cívico e educativo. Vamos dar nova vida a um espaço simbólico e criar condições para que os arcuenses tenham acesso a conhecimento, tecnologia e cultura de forma aberta e inclusiva”, afirma o presidente da Câmara.

A equipa técnica destaca que o projeto foi pensado para ser flexível, preparado para evoluir com novas práticas culturais. As áreas móveis, a infraestrutura tecnológica e a atenção à acústica e à luz natural permitem usos múltiplos, de aulas abertas a lançamentos de livros e pequenos concertos.

Um convite à participação

Até à abertura, serão promovidas consultas públicas e sessões de cocriação, onde os moradores poderão sugerir serviços, coleções e atividades prioritárias. A mediateca nasce com a ambição de ser de todos e para todos, fazendo da proximidade a sua maior força.

Com obras a arrancar já em outubro, Arcos de Valdevez dá um passo decisivo para um equipamento que alia memória, sustentabilidade e futuro. Se tudo correr como previsto, a primavera de 2027 trará um novo lugar para aprender, conviver e imaginar.

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