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“Mãe, não me deixes apanhar o autocarro, chego sempre atrasado”: em Sintra, pais revoltados com as falhas crónicas do transporte escolar

Os relatos multiplicam-se em Braga: pais exaustos e alunos frustrados com os constantes atrasos do transporte escolar. Desde a reabertura das aulas, o vaivém entre terminais e escolas tornou-se um quebra-cabeças diário. O que deveria ser um serviço fiável passou a ser uma fonte de stress para dezenas de famílias.

No Interface da Estação, a confluência de carreiras e navettes escolares provoca cenas caóticas logo ao amanhecer. Faltam placas claras, os autocarros chegam ao mesmo tempo e as crianças correm de um veículo para outro, com mochilas às costas e a ansiedade no rosto. “Nunca sabemos onde apanhar o certo, é perigoso”, lamenta uma mãe, à frente de uma petição online com mais de uma centena de assinaturas.

Percursos mais longos e stressantes

As queixas repetem-se em bairros diferentes, do centro às freguesias periféricas. Muitos alunos relatam correspondências falhadas e tempos de espera excessivos, que alongam percursos que deveriam ser simples. “Mãe, não me deixes apanhar a navette, chego sempre atrasada”, desabafou uma aluna do 3.º ciclo, depois de perder duas ligações numa só semana.

Há quem prefira ir a , enfrentando quinze a vinte minutos por estradas movimentadas, para não perder a primeira aula. Pais recordam que, de carro, o trajeto demora doze minutos, mas no autocarro pode ultrapassar uma hora ao final do dia. “Isto não é digno para crianças que já têm jornadas longas de estudo”, critica uma encarregada de educação.

Competências agora municipais

Com a recente descentralização, a Câmara de Braga assumiu novas competências na organização da mobilidade escolar. Parte das linhas antes coordenadas pela Comunidade Intermunicipal passou para gestão direta do município e dos operadores locais. O objetivo era aproximar decisões do terreno e melhorar a articulação entre carreiras urbanas e circuitos de reforço.

Na prática, pais dizem sentir um “jogo do empurra” entre serviços, sem respostas rápidas. Quando procuram a autarquia, são remetidos para o operador; quando ligam ao operador, são remetidos para a Câmara. “Todos dizem estar a par, mas nada muda”, resume uma mãe, pedindo um plano de choque imediato.

Comunicação falha e segurança em causa

O ponto mais sensível é a falta de informação atempada. Quando uma navette não aparece, não há alerta na aplicação, nem aviso no abrigo, nem mensagem aos encarregados. Pais passam longos minutos ao telefone, a tentar perceber se a ligação existe, se partiu, ou se foi cancelada.

Pior: há casos de horários de navettes que coincidem com as chegadas das carreiras que as deviam alimentar. Se o autocarro de origem chega às 8h05 e a navette parte às 8h05, a conta simplesmente não bate. “Vi crianças perdidas, a pedir ajuda a desconhecidos, por falta de referências claras. É inadmissível”, comenta outra mãe.

Uma petição para destravar soluções

A petição lançada a 7 de setembro exige medidas concretas e imediatas, antes que a rotina do ano letivo se consolide com maus hábitos. Os subscritores pedem que o município e o operador alinhem processos, publiquem horários consistentes e reforcem o apoio de campo nos pontos de maior afluência.

Entre as propostas, destacam-se:

  • Alinhamento rigoroso de horários entre carreiras e navettes, com margens de segurança para correspondências.
  • Sinalética grande e coerente nos interfaces e paragens, com mapas simplificados e códigos de cores.
  • Aumentos de capacidade em horas de ponta e autocarros de reserva para ocorrências.
  • Alertas em tempo real via app, SMS e painéis eletrónicos, sempre que haja perturbações.
  • Presença de assistentes identificados durante as primeiras semanas e em momentos críticos.
  • Abrigos com iluminação e proteção contra chuva, sobretudo nos pontos usados por menores.

“Não podemos esperar por obras no próximo ano para resolver o que está a falhar agora”, lê-se no texto, que apela a um compromisso com a segurança e a pontualidade dos alunos. Uma mãe acrescenta: “Se um dia acontecer algo a uma criança sozinha num passeio mal sinalizado, será um escândalo. É preciso agir antes do acidente.”

O que está em jogo

Para além dos atrasos, está em causa a confiança no serviço público e a própria conciliação familiar. Pais que ajustaram horários de trabalho para reduzir o tráfego matinal veem-se a fazer viagens extra por receio de novas falhas. Alunos chegam já em sobressalto às aulas, o que afeta o rendimento e a concentração diária.

Melhorar a rede é possível com coordenação fina, dados em tempo real e presença no terreno. Braga tem operadores capazes, escolas disponíveis e uma comunidade atenta a colaborar. Falta transformar essa energia em um plano executável, medido por indicadores, e comunicado com clareza.

Enquanto isso, os miúdos pedem apenas o básico: chegar a horas, em segurança, sem ter de correr atrás de um autocarro que parte do outro lado da rua. Pais e escolas aguardam por respostas rápidas que devolvam previsibilidade a uma rotina que devia ser simples.

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