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Horror na Indonésia: turista passa 3 dias encurralada num vulcão e morre ao cair numa ravina

A jovem brasileira de 26 anos foi encontrada morta na Indonésia, após três dias de buscas num dos trilhos do monte Rinjani, na ilha de Lombok. Segundo as autoridades, a turista caiu num desfiladeiro junto ao bordo da cratera e ficou inacessível devido ao nevoeiro e ao terreno íngreme. As operações de resgate foram dificultadas por condições meteorológicas adversas, acabando por localizar o corpo com recurso a drones.

Operações de resgate dificultadas pelo mau tempo

As equipas de busca e salvamento mobilizaram cerca de 50 elementos, apoiados por um helicóptero e drones com câmaras térmicas. “Ontem de manhã detetámos a vítima, mas fomos travados pelo terreno muito escarpado e pela neblina persistente”, explicou Muhammad Hariyadi, responsável pelos serviços de resgate em Mataram. A visibilidade reduzida e a presença de ravinas profundas tornaram cada tentativa mais arriscada.

O chefe da Agência Nacional Indonésia de Pesquisa e Resgate, Mohammad Syafii, confirmou que uma equipa alcançou a vítima a cerca de 600 metros de profundidade. “Após verificação, não foram detetados sinais de vida; outras três equipas aproximaram-se e confirmaram o óbito”, declarou o responsável. A evacuação do corpo foi programada para a manhã seguinte, mediante melhoria do tempo.

Identidade e percurso da viajante

A vítima foi identificada como Juliana Marins, de 26 anos, reconhecida por familiares e pela imprensa brasileira. A jovem viajava pelo Sudeste Asiático como mochileira, com registos recentes na Tailândia e no Vietname, antes de chegar à Indonésia. O itinerário no monte Rinjani era parte de um percurso muito popular entre visitantes, que procuram vistas panorâmicas sobre a cratera e o lago vulcânico.

“O Governo brasileiro anuncia, com profunda tristeza, o falecimento da turista Juliana Marins, que caiu de uma falésia junto ao trilho do monte Rinjani”, disse o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em comunicado. “Ao fim de quatro dias de buscas, dificultadas pelo tempo, pela visibilidade e pela topografia, as equipas indonésias localizaram o corpo”, acrescentou a nota.

O Rinjani e os riscos do montanhismo na região

O monte Rinjani é o segundo vulcão mais alto da Indonésia e domina a ilha de Lombok, vizinha de Bali. O percurso até ao cume é famoso pelas paisagens impressionantes, mas comporta riscos significativos, sobretudo em condições instáveis de tempo. Troços perto da cratera incluem trilhos estreitos, zonas com gravilha solta e desníveis acentuados que exigem experiência e equipamento adequado.

Em 2018, um sismo de magnitude 6,4 provocou deslizamentos de terras, deixando centenas de caminhantes encurralados na mesma montanha. Pelo menos 17 pessoas morreram na ilha, incluindo um excursionista no próprio vulcão. As autoridades locais reforçam, desde então, alertas sobre meteorologia, rotas seguras e limites de acesso durante períodos de instabilidade sísmica.

Recomendações para quem viaja desde Portugal

Para leitores em Portugal que planeiem trilhos em vulcões do Sudeste Asiático, as regras de segurança abaixo são essenciais. Estes conselhos aplicam-se também a rotas em altitude na ilha da Madeira e na serra da Estrela, ajustando o nível de exigência do terreno:

  • Verificar a previsão meteorológica e consultar avisos das autoridades locais.
  • Escolher trilhos adequados à sua experiência e ao estado de forma.
  • Levar equipamento apropriado, incluindo botas, roupa térmica e lanterna frontal.
  • Viajar com guia credenciado quando o percurso for exposto ou técnico.
  • Transportar água, alimentos energéticos e um kit de primeiros socorros.
  • Informar alguém do itinerário e da hora prevista de regresso.
  • Evitar zonas junto a bordos de crateras ou falésias com piso instável.
  • Manter bateria extra para telemóvel e, se possível, um localizador GPS.

Uma tragédia que deixa um alerta

A morte de Juliana Marins lembra a fragilidade de quem busca aventura em ambientes de alta montanha. Locais de enorme beleza podem esconder perigos discretos, e um passo em falso, aliado a nevoeiro ou cansaço, transforma-se rapidamente em tragédia.

Perante acidentes deste tipo, as equipas de salvamento realçam a importância da prevenção e do respeito pelos limites pessoais. Em viagens longas, a prudência é aliada da descoberta, e regressar em segurança deve ser sempre a maior prioridade.

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