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Homem descobre jazida de ouro de 4 mil milhões de dólares em Otago — mas o governo trava tudo

O que começou como um passeio rotineiro por um monte privado perto de Montemor‑o‑Novo tornou‑se, para muitos, a maior descoberta de ouro em Portugal em mais de um século, com um valor estimado em mais de 4 mil milhões de euros. A notícia incendiou conversas em círculos de prospetores, mas o homem que a fez diz que a euforia durou pouco. Dias depois dos primeiros testes confirmarem a escala, as autoridades intervieram e congelaram toda a atividade, deixando o proprietário atónito e a comunidade dividida.

Um passeio tranquilo, um brilho no solo

Jorge Teixeira, agricultor de 49 anos, conta que nem estava à procura de ouro quando tudo aconteceu. Estava a verificar vedações depois de uma chuvada, num valado onde a terra parecia virada do avesso. “Junto a uma grota, vi um brilho estranho no chão — pequenas lâminas a apanhar a luz”, recorda. Levou um punhado para casa e pediu ao vizinho, antigo aluno de Geologia, um teste de bateia. O que viram deixou‑os estupefactos: ouro aluvionar — e em quantidade.

Em menos de uma semana, consultores independentes estavam no terreno. Amostras mais profundas confirmaram o impensável: um depósito com alta concentração, possivelmente a estender‑se por vários hectares.

Milhões debaixo da terra — mas intocáveis

As estimativas sugerem que o total de ouro poderá exceder as 150 toneladas, colocando o valor potencial acima de vários mil milhões de euros, consoante a pureza e o método de extração. Jorge mal teve tempo para celebrar. “A DGEG e a APA apareceram em poucos dias”, diz, referindo‑se à Direção‑Geral de Energia e Geologia e à Agência Portuguesa do Ambiente.

“Disseram‑me que não podia tocar no terreno sem licenças, estudos de impacte ambiental e avaliações patrimoniais e ecológicas. Na prática, ficou tudo suspenso.” Em Portugal, os recursos geológicos pertencem ao Estado, ainda que estejam debaixo de propriedade privada, e qualquer exploração exige um processo moroso, público e regulado. Entre licenças, pareceres do ICNF para áreas sensíveis e consultas públicas, a incerteza torna‑se a regra — sobretudo perto de linhas de água e habitats de espécies protegidas.

Uma comunidade dividida

A zona rural entre Montemor‑o‑Novo e a Ribeira do Almansor está agora fraturada. Alguns veem a oportunidade de trazer emprego, investimento e novas estradas para um território que perde gente e serviços. Outros temem contaminação de águas, erosão do solo e danos irreversíveis na fauna e na flora locais.

“Pode haver ouro no subsolo, mas também há espécies autóctones. E não se extrai um sem ferir o outro”, diz uma conservacionista da região. Entretanto, correm rumores de empresas estrangeiras já a sondar direitos de prospeção, caso a área venha a abrir.

“Pode haver ouro no solo”, diz uma conservacionista local

A nova realidade de Jorge

Desde que a notícia saltou cá para fora, a vida silenciosa de Jorge virou‑se do avesso. “Passam carros a toda a hora. Há jornalistas, investidores e até curiosos com detetores de metais”, desabafa. Contratou apoio jurídico e avançou com um pedido preliminar, na tentativa de garantir algum interesse naquilo que surgiu no seu próprio terreno.

Mas mantém‑se realista. “Sei que provavelmente nunca vou ver um cêntimo do ouro em si”, admite. “Talvez traga algo de bom à região — se for bem gerido.”

O que pode acontecer a seguir?

Fontes próximas da DGEG confirmam que a zona está sob análise, mas não haverá decisões antes de concluídas as avaliações técnicas e os pareceres ambientais. A APA já sinalizou a localização para atividade condicionada, e o município aguarda esclarecimentos sobre tráfego, ruído e planos de água. Para a maioria, o caminho passa por um guião exigente, onde cada passo é escrutinado.

Principais etapas antes de qualquer avanço:

  • Pedido de licença de prospeção e pesquisa junto da DGEG.
  • Estudo de Impacte Ambiental e avaliação hidrogeológica exigidos pela APA.
  • Pareceres do ICNF e da DGPC sobre biodiversidade e património.
  • Consulta pública com participação da autarquia e da comunidade.
  • Plano de fecho e garantias financeiras para remediação.
  • Acordos de servidão e compensações com o proprietário e vizinhos.

Enquanto isso, o ouro fica onde sempre esteve: enterrado, intocado e preso entre leis, direitos de subsolo e a pesada burocracia. “Pode ser o pedaço de terra mais rico onde alguma vez pisei”, diz Jorge. “Mas, por agora, é só erva — e dores de cabeça.”

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