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Heróis anónimos ajudam jovem gravemente ferido num acidente; mãe e socorristas agradecem emocionados

No final da tarde de sexta‑feira, 12 de setembro, um acidente rodoviário entre Azeitão e Palmela mobilizou dezenas de condutores e moradores que, sem hesitar, prestaram os primeiros socorros a um jovem condutor gravemente ferido. Eram cerca das 19h00, num troço sinuoso da EN379, conhecido pela sua elevada sinistralidade e por curvas apertadas ladeadas por árvores. Os primeiros a chegar ao local chamaram de imediato o 112 e iniciaram manobras básicas de assistência, mantendo o rapaz consciente até à chegada das autoridades.

Poucos minutos depois, chegaram os Bombeiros de Palmela, uma equipa do INEM e militares da GNR, que assumiram as operações de estabilização e de segurança na via. A prioridade foi imobilizar o sinistrado, proteger as vias respiratórias e garantir a sua transferência rápida para uma unidade hospitalar próxima, enquanto o trânsito era cortado num dos sentidos.

Ajuda imediata e coordenação dos socorros

Os primeiros testemunhos descrevem uma reação exemplar, com automobilistas a sinalizarem a via, desligarem a bateria de uma das viaturas e confortarem o jovem condutor. Uma enfermeira que passava no local ajudou a avaliar o estado neurológico do rapaz, pedindo que ninguém o movimentasse para evitar lesões agravadas. “Foi tudo muito rápido, mas as pessoas foram de uma coragem incrível”, contou um morador que ajudou a controlar o trânsito.

A chegada dos Bombeiros e do INEM foi descrita como celeríssima, com material de imobilização e monitorização avançada. As equipas coordenaram a remoção segura, enquanto a GNR procedeu ao registo de ocorrência e à gestão da circulação. A colaboração entre civis e profissionais foi apontada como decisiva para estabilizar o ferido.

Transferência hospitalar e estado clínico

O jovem foi inicialmente encaminhado para o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, onde realizou exames complementares e recebeu estabilização. Perante a gravidade das lesões, foi transferido durante a noite para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com equipa de suporte avançado. Segundo a família, o diagnóstico aponta para várias fraturas — base do crânio, clavícula, um e uma vértebra — além de um hematoma pulmonar que exige vigilância apertada.

Apesar da gravidade, a mãe sublinhou um ponto de esperança: “Ele está connosco, está a lutar, e isso é o mais importante.” As próximas horas são cruciais para avaliar a evolução das lesões e o plano de recuperação, que poderá incluir cirurgias e fisioterapia prolongada.

Agradecimentos públicos que uniram a comunidade

Na manhã seguinte, a mãe recorreu às redes sociais para agradecer aos “heróis de estrada” que pararam para ajudar. A mensagem, publicada numa página muito seguida de alertas de trânsito, gerou uma onda de solidariedade e partilhas de quem passou pelo local. “Quero agradecer a quem lhe prestou os primeiros socorros e dar notícias do meu filho a quem as pedir”, escreveu, emocionada mas determinada.

Vários profissionais de emergência juntaram‑se à conversa, incluindo um técnico do INEM que deixou uma palavra de apreço aos populares: “Como socorrista, nem sempre encontramos gente tão atenta e pronta a agir. Hoje, salvaram tempo, e o tempo salva vidas.” Os Bombeiros de Palmela também agradeceram a quem sinalizou a via e manteve a calma até à chegada dos meios.

O que fazer se presenciar um acidente

Em situações como esta, pequenas atitudes podem fazer grande diferença:

  • Garantir a sua própria segurança e a do local: estacionar em segurança e ligar os quatro piscas.
  • Ligar de imediato para o 112, indicando localização precisa e número de vítimas.
  • Sinalizar a via com triângulo e, se possível, colete refletor para evitar novos choques.
  • Não mover o ferido, sobretudo se suspeitar de trauma na coluna ou na cabeça.
  • Controlar hemorragias com compressão direta e manter o ferido calmo e aquecido.
  • Seguir as instruções do 112 até à chegada dos meios de socorro.

Um alerta para a segurança rodoviária

A EN379 é um eixo importante na Península de Setúbal, mas continua a registar sinistros frequentes, sobretudo ao entardecer e com piso molhado. Autoridades e autarcas têm reforçado ações de sensibilização, pedindo velocidades mais moderadas, ultrapassagens responsáveis e atenção redobrada em curvas cegas. A presença de árvores junto à faixa de rodagem aumenta a severidade de impactos, exigindo condução ainda mais defensiva.

A família do jovem, os Bombeiros, o INEM e a GNR deixaram uma palavra comum: obrigado. Obrigado a quem parou, a quem ligou o 112, a quem segurou uma mão até chegarem os profissionais. Em noites como a de sexta‑feira, a diferença entre um final trágico e uma nova chance pode ser a coragem de quem, por instantes, se torna o primeiro socorrista.

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