A Câmara Municipal de Azambuja decidiu, durante o verão, pôr fim ao estacionamento pago em várias zonas centrais. A remoção dos parquímetros começou no início de setembro e decorre de forma faseada. A medida foi amplamente aprovada pelos residentes, que vinham pedindo mais simplicidade e rotação nas ruas mais procuradas.
Porque a decisão chegou agora
Segundo a autarquia, o sistema pago, ativo de segunda a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 19h, já não respondia aos objetivos. O modelo fora criado para travar as chamadas “viaturas ventosa”, deixadas por longos períodos perto da estação e do comércio. Apesar de ter garantido alguma disciplina, a sua manutenção tornou-se onerosa e pouco eficaz.
A necessidade de substituir parquímetros envelhecidos precipitou o debate, abrindo espaço a uma alternativa. “Era um investimento muito elevado para um retorno diminuto”, reconhece a presidência da Câmara. O município concluiu que o custo de renovação superaria, em vários anos, o benefício real para a comunidade.
O que muda para quem estaciona
Com o fim do estacionamento pago, entram em vigor novas Zonas Azuis nos locais de maior procura. O estacionamento continua gratuito, mas com tempo limitado, garantindo a esperada rotação. Em regra, a permanência não deve ultrapassar 1h30, sempre com disco horário visível.
As antigas isenções de 1h30 em regime pago deixam de fazer sentido, porque todo o modelo passa a ser gratuito. Mantêm-se, contudo, lugares para residentes, cargas e descargas, pessoas com mobilidade reduzida e serviços urgentes. A fiscalização será feita por equipas municipais, com apoio da GNR, privilegiando uma abordagem pedagógica e de civismo.
O impacto financeiro e operacional
A autarquia abdica das receitas de coimas e tarifas, que, segundo a Câmara, somavam apenas “alguns milhares de euros” por ano. Em contrapartida, poupa um montante significativo ao não substituir o parque de horodômetros. Os contratos de manutenção, atualização de software e trocas de peças tinham um peso constante no orçamento.
Além da despesa direta, havia custos de operação e de atendimento a reclamações, que ocupavam recursos técnicos. Ao simplificar o sistema, a gestão ganha eficiência e pode focar-se na melhoria de sinalização, reorganização de lugares e criação de novas bolsas de estacionamento periférico. A expectativa é melhorar a circulação de clientes no comércio local, sem penalizar quem vive e trabalha no concelho.
A voz dos moradores e dos comerciantes
A Câmara lançou, no verão, um questionário público para auscultar residentes e utilizadores. Recebeu cerca de 1.300 respostas, com larga maioria a favor do fim do pagamento e da implementação de Zonas Azuis. A participação foi considerada “muito expressiva” para a dimensão do concelho.
“Esta é uma decisão de bom senso, alinhada com aquilo que os munícipes nos pediram”, afirmou o executivo municipal. “Acreditamos que o comércio beneficiará com maior rotatividade, sem transformar o estacionamento num custo diário para quem cá vive.”
Do lado dos lojistas, a reação foi globalmente positiva, sobretudo nas ruas de maior pressão. Muitos defendem a limitação de tempo como forma de aumentar o fluxo de clientes. A condição essencial, dizem, é haver fiscalização equilibrada e regras claramente sinalizadas.
Como será feita a fiscalização
A autarquia aposta no civismo e numa fiscalização de proximidade, com ações de sensibilização nas primeiras semanas. Haverá atenção especial a zonas junto à estação, escolas, serviços públicos e polos de comércio. O objetivo é evitar a ocupação prolongada e garantir que mais pessoas encontram lugar disponível.
Para facilitar a transição, a Câmara está a reforçar a sinalização horizontal e vertical, indicando tempos máximos e períodos de aplicação. Estuda-se também a criação de parques periféricos de baixa rotatividade, pensados para trabalhadores que passam o dia na vila. Esta combinação de medidas procura equilibrar necessidades distintas sem regressar à lógica de taxas.
Boas práticas para os utilizadores
- Usar o disco horário de forma visível no tablier.
- Respeitar o tempo máximo indicado em cada zona.
- Preferir parques periféricos para estadias superiores a 1h30.
- Evitar estacionar em locais de carga e descarga fora do horário.
- Cumprir as normas de acessibilidade e não ocupar lugares reservados.
Próximos passos e avaliação
Nos próximos meses, a Câmara vai monitorizar ocupação, rotatividade e impacto no comércio. Serão recolhidos dados de fiscalização, bem como contributos de moradores e associações locais. Caso necessário, o mapa de Zonas Azuis poderá ser ajustado, tal como os tempos máximos por rua.
A meta é simples: um centro mais dinâmico, com estacionamento gratuito mas organizado. Se o equilíbrio se mantiver, a medida poderá ser estendida a outras áreas críticas do concelho. A experiência de Azambuja quer provar que é possível simplificar, poupar e, ainda assim, melhorar a vida quotidiana de quem cá vive e de quem nos visita.
