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Com 145 metros, a nova ponte pedonal mais aguardada de Portugal vai transformar a vida de milhares de pessoas

Uma travessia estratégica para Alverca e o Tejo

A nova passagem pedonal e ciclável, com 145 metros de extensão, vai ligar o centro de Alverca do Ribatejo ao Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo. Pensada para peões e ciclistas, a estrutura permitirá vencer em segurança a EN10, encurtando percursos diários e aproximando a população da frente ribeirinha. O traçado arranca junto à saída do túnel sob a Linha do Norte, nas imediações da estação, e desemboca nas zonas de lazer junto ao rio.

As obras, com duração prevista de um ano e meio, já começaram, e prometem transformar a mobilidade local. A travessia terá 5 metros de largura útil, separando fluxos de bicicletas e de peões para garantir maior segurança e conforto. O desenho foi otimizado para acessibilidade, com rampas de inclinação suave e guarda-corpos de altura reforçada.

Corredor ecológico integrado

Para além da função urbana, o projeto inclui um corredor ecológico com um metro de largura, paralelo ao tabuleiro. Esta solução permitirá a passagem de pequenos mamíferos e outras espécies, evitando a travessia da EN10 e promovendo a continuidade dos habitats. O objetivo é reduzir a fragmentação ecológica, integrando medidas de biodiversidade num investimento de mobilidade.

O corredor será revestido com substratos naturais e pequenas zonas de abrigo, guiando a fauna por um percurso protegido. A monitorização pós-obra avaliará o uso por espécies e permitirá ajustar detalhes de paisagismo.

Investimento e financiamento

A operação, orçada em 7,8 milhões de euros, resulta de um esforço conjunto entre várias entidades. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira assegura cerca de 2,5 milhões, enquanto o Estado contribui com 1,2 milhões. A Área Metropolitana de Lisboa reforça a componente intermunicipal com 100 mil euros, e o grosso do investimento é garantido por fundos europeus do programa Lisboa 2030/PRR, num montante aproximado de 4 milhões.

Segundo fonte oficial da autarquia, «esta travessia responde a uma necessidade antiga e a um bloqueio diário na EN10, que separava moradores da sua frente ribeirinha e do parque». O modelo de financiamento foi escolhido para acelerar a execução e maximizar o retorno em saúde pública e qualidade de vida.

«A EN10 é uma barreira urbana que impediu, durante décadas, o acesso fácil ao Tejo; esta obra devolve a cidade às pessoas.» — fonte oficial da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira

Mais bicicletas, menos carros

A nova ligação integra a Rede Ciclável Metropolitana da AML, criando um eixo contínuo entre bairros residenciais, a estação ferroviária e a zona de lazer. O objetivo é multiplicar as deslocações em bicicleta até 2030, em linha com o PAMAC e estratégias de neutralidade climática. As ligações existentes serão melhoradas com sinalização, iluminação eficiente e pontos de estacionamento seguro.

Para os chamados ciclistas pendulares, a travessia encurta minutos preciosos em horas de ponta e substitui trajetos perigosos por percursos protegidos. Aos fins de semana, as famílias ganham um acesso mais direto a ciclovias ribeirinhas e zonas de piquenique.

Estrutura em aço autopatinável

A ponte será construída em aço autopatinável (Corten), escolhido pela sua elevada durabilidade e baixa necessidade de manutenção. Até meados de novembro do próximo ano, os trabalhos centrar-se-ão nas fundações, com estacas e microestacas cravadas a mais de oito metros de profundidade. Em simultâneo, a charpente metálica será fabricada em oficina, permitindo maior controlo de qualidade e prazos mais robustos.

Após a montagem em cantiere, o tabuleiro será içado sobre a EN10 em operações noturnas cuidadosamente planeadas. Estimam-se uma a duas noites de encerramento parcial da via, entre as 22h e as 5h, para minimizar impactos no tráfego.

Calendário e próximos passos

O levantamento do tabuleiro está previsto para o verão de 2026, seguindo-se trabalhos de acabamentos, ensaios estruturais e auditorias de segurança. A abertura ao público é apontada para o início de 2027, condicionada às condições meteorológicas e à disponibilidade de materiais.

Até lá, a autarquia promete informação regular sobre condicionamentos, alternativas de circulação e fases de obra. Serão instalados painéis de obra com QR codes para acesso a mapas atualizados e prazos de execução.

O que muda no dia a dia

  • Acesso mais rápido e seguro entre o centro de Alverca e o Tejo
  • Percursos contínuos para ciclistas e peões, com iluminação eficiente
  • Redução de acidentes e de tempos de viagem na EN10
  • Promoção da atividade física e do turismo de proximidade
  • Melhoria da qualidade do ar e do ambiente urbano

Além do benefício direto para moradores, a travessia valoriza o comércio local e reforça a atratividade do parque ribeirinho. Combinada com a oferta ferroviária, pode incentivar a troca do automóvel por modos suaves em deslocações de curta distância.

No balanço, trata-se de uma obra de mobilidade que dialoga com a natureza, ao integrar um corredor ecológico e apostar em materiais duráveis. Ao aproximar pessoas do rio e do espaço público de qualidade, a cidade ganha em coesão social e em bem‑estar coletivo.

Imagem de arquivo de obras numa passerelle pedonal. © Alexandre Marqué
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