A queda do Boeing 787-8 Dreamliner da Air India em Ahmedabad, no noroeste da Índia, deixou ao menos 265 mortos, entre passageiros e pessoas atingidas no solo. A aeronave havia decolado rumo a Londres e emitiu um alerta de emergência pouco depois da partida, antes de colidir com prédios e se incendiar. Autoridades locais confirmaram que há um único sobrevivente identificado.
Primeiros fatos confirmados
O voo 171 partiu às 13h39, horário local, e perdeu altitude de forma crítica logo após a decolagem. Vídeos nas redes sociais mostram o avião com dificuldade para ganhar altura, seguido de uma descida gradual e da explosão ao atingir edificações.
Segundo a polícia do Gujarat, 265 corpos foram levados ao hospital, o que inclui pelo menos duas dezenas de vítimas em terra. A aeronave atingiu uma área próxima ao hospital público da cidade e ao bairro Ghoda Camp, provocando incêndios de grande proporção.
Crédito: AFP
Resgate sob chamas e escombros
Equipes de socorro, com apoio de cães farejadores, vasculharam os destroços durante a noite em busca de corpos e possíveis feridos. Bombeiros trabalharam por horas para conter as chamas na fuselagem, que teria se partido ao atingir uma residência de médicos e a cantina onde estudantes almoçavam.
Testemunhas relataram pessoas saltando de andares superiores, enquanto ambulanças avançavam entre escombros e fios expostos. “Havia corpos espalhados e muitos estavam calcinados”, disse um morador.
Crédito: AFP
O sobrevivente do assento 11A
Autoridades confirmaram um único sobrevivente, um cidadão britânico de origem indiana, que teria ocupado o assento 11A. Ele conseguiu sair da aeronave com ferimentos e foi levado a um hospital da região. Documentos obtidos localmente indicam o nome Vishwash Kumar Ramesh, de 40 anos.
“Eu não faço ideia de como saí daquele avião”, teria dito o próprio passageiro, segundo um familiar ouvido pela imprensa.
Reações oficiais e luto internacional
O primeiro-ministro Narendra Modi declarou que a tragédia “nos deixou atônitos e profundamente tristes”, e prometeu mobilizar todos os recursos necessários. O governo do Gujarat pediu amostras de DNA às famílias para acelerar a identificação das vítimas.
Líderes internacionais expressaram solidariedade. O governo britânico ofereceu apoio aos cidadãos afetados, enquanto os Estados Unidos se disseram prontos para assistir nas investigações. Um centro de acolhimento a familiares foi montado no aeroporto de Gatwick.
Crédito: AP
Investigações e hipóteses iniciais
As causas do acidente ainda são investigadas pelo Bureau of Aircraft Accident Investigation (AAIB), com apoio de equipes do Reino Unido e dos Estados Unidos. Especialistas em segurança aérea pedem cautela: o Dreamliner pode voar com um único motor, portanto, falha dupla — possivelmente por ingestão de aves — é uma hipótese considerada, porém ainda sem confirmação.
Dados preliminares sugerem um chamado de socorro logo após a decolagem e perda de potência. As caixas-pretas devem esclarecer a sequência de eventos, parâmetros de motores e alertas da cabine.
Impacto econômico e assistência às famílias
Trata-se do primeiro grande acidente envolvendo um 787-8 em serviço desde sua introdução em 2011. As ações da Boeing recuaram no mercado após a tragédia, refletindo a incerteza sobre causas e possíveis implicações técnicas.
O grupo Tata, controlador da Air India, anunciou um fundo de 110 milhões de euros para indenizações, além da cobertura de tratamentos médicos aos feridos. Uma célula de emergência foi criada para atender famílias e organizar apoio psicológico.
O que se sabe até agora
- Decolagem de Ahmedabad com destino a Londres; alerta de emergência minutos após a partida.
- Ao menos 265 mortos, incluindo vítimas atingidas no solo.
- Um único sobrevivente confirmado, internado em hospital.
- Investigações conduzidas pelo AAIB indiano, com apoio internacional de especialistas.
- Hipóteses preliminares vão de falha mecânica a impacto com aves, sem conclusão definitiva.
- Fundo de indenização anunciado e coleta de DNA para identificação.
Cidade, aeroporto e contexto
Ahmedabad, maior cidade do Gujarat, tem cerca de 8 milhões de habitantes e um aeroporto cercado por áreas densas. O tráfego foi suspenso após o acidente, enquanto equipes avaliavam riscos de estruturas atingidas.
O desastre ocorre às vésperas do Salão do Bourget, em Paris, importante vitrine da indústria aeronáutica. A Índia, que ampliou seu tráfego internacional nos últimos anos, havia registrado seu último grande acidente fatal em 2010 e enfrenta agora o desafio de aprimorar protocolos urbanos e de resposta a emergências.
Em meio à dor, a cidade tenta contabilizar perdas, apoiar sobreviventes e responder à pergunta central: o que levou um jato de última geração a cair poucos minutos após decolar? As próximas semanas, com análises de dados e relatórios técnicos, serão decisivas para transformar luto em aprendizado e reforçar a confiança do público no transporte aéreo.


