A supremacia nos mares continua a moldar alianças, comércio e dissuasão estratégica. Em plena era de concorrência entre grandes potências, as marinhas mais fortes projetam alcance, garantem rotas e influenciam crises. Como lembrou um almirante: “O mar é a grande via da prosperidade, e o poder naval é a sua moeda”.
- Critérios decisivos: número de navios e tonelagem total, com ênfase em porta-aviões e submarinos.
- Capacidade de operar grupos-tarefa com porta-aviões e escoltas, de forma sustentada.
- Tecnologia embarcada: sensores, mísseis, defesa aérea e guerra eletrônica.
- Logística global: bases, reabastecimento no mar e alianças.
- Doutrina de emprego e prontidão de tripulações.
Estados Unidos
A Marinha dos EUA combina escala, tecnologia e experiência operacional únicas. Apesar de a China ter mais cascos (1.572 versus 1.139), o USN mantém a dianteira graças a sistemas avançados e um núcleo de 11 porta-aviões. O USS Gerald R. Ford, com 332 metros, estreou em 2022, enquanto o USS John F. Kennedy entra em testes rumo a 2025.
A frota soma cerca de 3 milhões de toneladas, com 14 SSBN, 50 SSN e 23 fragatas. A verdadeira força está na capacidade de desdobrar múltiplos grupos-aeronaval em simultâneo, como demonstrado no Mediterrâneo oriental após os ataques de outubro de 2023.
China
A modernização chinesa é vertiginosa. Em poucos anos, Pequim construiu o equivalente a uma marinha europeia de primeira linha. Opera três porta-aviões e constrói um quarto, ainda sem propulsão nuclear. Com 1.572 navios e cerca de 1,2 milhão de toneladas, ocupa o segundo posto em poder naval agregado.
A prioridade chinesa é controlar os mares regionais, ampliar presença no Índico e proteger cadeias logísticas. O foco em mísseis antinavio, guerra de informação e construção serial dá à PLAN um ritmo de crescimento impressionante.
Rússia
Moscou acelera a modernização, substituindo cascos da era soviética por unidades mais silenciosas e letais. Em dezembro de 2023, dois novos submarinos nucleares reforçaram a Frota do Pacífico, sinalizando ambição no Ártico, Extremo Oriente, Mar Negro, Báltico e Cáspio.
A Marinha russa reúne 605 navios e 1,15 milhão de toneladas, incluindo 51 submarinos — 13 SSBN. O investimento privilegia dissuasão estratégica, mísseis hipersônicos e presença seletiva em teatros de alto valor.
Japão
A geografia impõe ao Japão uma marinha altamente capaz. Com 512 mil toneladas, Tóquio opera dois porta-helicópteros classe Izumo, de 27 mil toneladas, adaptáveis a caças STOVL. O orçamento de defesa foi ampliado em 2022, viabilizando novos escoltas e integração de mísseis de longo alcance.
O inventário inclui 18 submarinos e oito fragatas, apoiados por tripulações experientes e manutenção de alto padrão. A estratégia prioriza defesa de ilhas, anti-submarino e interoperabilidade com aliados.
Reino Unido
A Royal Navy, embora menor que no pós-guerra, mantém capacidades centrais. Com 457 mil toneladas, opera dois porta-aviões da classe Queen Elizabeth, pilar de projeção com caças F-35B e escoltas de primeira linha. Desafios de pessoal afetaram desdobramentos recentes, evidenciando a importância da prontidão humana.
Ainda assim, a marinha britânica conserva alcance global, foco em submarinos de ataque, guerra anti-submarino no Atlântico Norte e integração próxima com a OTAN.
Índia
A Índia acelera a expansão para equilibrar a China no Índico. A marinha indiana soma 322 mil toneladas, com dois porta-aviões, 16 submarinos (um SSBN) e 16 fragatas. A presença ativa no Mar Vermelho entre 2023 e 2024 mostrou agilidade em proteção de comércio.
A estratégia combina construção nacional, cooperação tecnológica e foco em ASW (anti-submarino), defesa de linhas marítimas e capacidade anfíbia para resposta a crises.
França
Com o segundo maior espaço marítimo do planeta, a França sustenta uma marinha verdadeiramente oceânica. “La Royale” reúne 307 mil toneladas, incluindo o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle, três navios anfíbios porta-helicópteros, cerca de 15 fragatas e nove submarinos nucleares.
Única, ao lado dos EUA, a operar um porta-aviões de propulsão nuclear, a França planeja um sucessor até 2040 e SSBNs de terceira geração. A capacidade de desdobrar poder do Atlântico ao Indo-Pacífico é um diferencial estratégico.
Em síntese, o poder naval continua a ser fator-chave de dissuasão, influência e segurança das rotas globais. Apesar de trajetórias distintas, essas sete marinhas combinam tonelagem, tecnologia e prontidão para proteger interesses, apoiar aliados e responder a crises. Num século em que o mar volta ao centro da disputa estratégica, quem comanda os oceanos molda o equilíbrio de poder.
