Foi, nas palavras do comandante da GNR, «um golpe de sorte».
Desaparecido durante várias horas, um homem de 89 anos foi encontrado em plena noite, estendido na floresta, por três militares destacados para as buscas.
O alerta chegou às 20h30 de domingo, 14 de setembro de 2025, quando a filha do idoso ligou para o Comando Territorial de Braga para reportar a desaparição.
O homem, residente na freguesia de Covide, no concelho de Terras de Bouro, tinha saído às 16h para apanhar cogumelos e não regressara a casa.
Ficou deitado cinco horas
De imediato, o Posto Territorial da GNR de Terras de Bouro mobilizou uma equipa para vasculhar a mata junto à habitação do casal.
Segundo a GNR, o senhor costumava percorrer aquele bosque, mas partiu sozinho, com o seu cesto e boina, e sem telemóvel.
Para reforçar o dispositivo, foi acionada uma equipa cinotécnica da Unidade de Intervenção, com binómios caninos habituados a pistar em terreno de montanha.
Vizinhos e familiares juntaram-se às buscas, enfrentando chuva persistente e piso escorregadio nas encostas do Gerês.
Perto das 22h00, os três militares que patrulhavam uma zona de mato mais fechado depararam-se com o octogenário.
O homem estava deitado de costas, muito fraco, assustado e com fala difícil, denotando sinais de frio e enorme cansaço.
Conseguiu, contudo, explicar que escorregara no início do passeio, por volta das 17h, e não se sentia capaz de levantar-se.
Tinha dores na anca e receio de se mover, permanecendo no chão durante pelo menos cinco horas.
«Foi um achamento de grande alívio para todos e, honestamente, um pouco de sorte», afirmou o comandante da companhia, sublinhando a importância da rápida mobilização da GNR e da ajuda dos populares.
Resgate difícil e transporte ao hospital
A retirada do local foi tudo menos simples, devido ao piso lamacento e à ausência de iluminação.
Os militares improvisaram uma maca de fortuna e conduziram o idoso até à estrada, onde aguardava uma ambulância.
Os Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro estabilizaram o ferido, fornecendo abrigo térmico e monitorização dos sinais vitais.
Seguiu depois para o Hospital de Braga, consciente e em estado considerado estável pelos socorristas.
Vizinhos relataram que o senhor é conhecido pelos seus passeios ao bosque, sobretudo em época de míscaros e outros cogumelos.
A família, visivelmente emocionada, agradeceu aos militares e aos bombeiros pela pronta resposta e pelo cuidado no resgate.
O que fazer antes de ir aos cogumelos
A GNR aproveitou o desfecho positivo para reforçar conselhos de segurança a quem pretende ir à floresta.
«Não saiam sozinhos, avisem alguém do trajeto, usem roupas com cores vivas e levem um telemóvel carregado ou, pelo menos, um apito», frisou o comandante.
Boas práticas para reduzir riscos:
- Ir acompanhado e planear um percurso conhecido, com hora de regresso definida.
- Usar roupa de cores vivas e calçado aderente, adequado a terreno molhado.
- Levar água, pequeno lanche, casaco impermeável e uma luz frontal.
- Transportar telemóvel com bateria e partilhar a localização em tempo real, se possível.
- Levar um apito e informar um familiar do destino e do tempo previsto.
- Evitar zonas muito fechadas ao entardecer e respeitar trilhos marcados.
Comunidade vigilante e lições para o outono
Com a chegada do outono, multiplicam-se as saídas para a apanha de cogumelos nas serras do Minho e de Trás-os-Montes.
As autoridades recordam que as condições de chuva e nevoeiro reduzem a visibilidade e tornam o terreno mais perigoso.
A colaboração entre vizinhos, bombeiros e GNR continua a ser decisiva em missões de busca e salvamento.
Cada minuto de procura conta quando há frio, declive e pessoas mais idosas envolvidas.
Neste caso, a conjugação de rapidez, técnica e um pouco de fortuna permitiu evitar um desfecho trágico numa zona de mata isolada.
Ficam as lições, o agradecimento à comunidade e o apelo à prudência sempre que a floresta chamar à aventura.
